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PSD: Silêncio total sobre eleições locais

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Mais uma vez, Passos ignorou as autárquicas num Conselho Nacional. E diz que não há razão para “lufa-lufa”

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Começa a ser uma tradição: as intervenções de fundo de Pedro Passos Coelho ignoram sistematicamente as eleições autárquicas de 2017. Foi assim no Conselho Nacional (CN) desta terça-feira, já fora assim no CN anterior, e até quando encerrou a Academia do Poder Local, a 20 de novembro, Passos manteve o guião de ataque ao Governo e escrutínio das contas públicas, sem dar um segundo às eleições que acontecem daqui a nove meses.

A atitude de Passos está a exasperar dirigentes locais e candidatos a autarcas. “É inacreditável!”, desabafava esta semana o presidente de uma distrital que pediu anonimato. “Como é que se faz um Conselho Nacional nesta altura e o presidente do partido não tem nada para dizer sobre autárquicas? Para ele é só números, só números. Ninguém percebe!”

Outros conselheiros nacionais ouvidos pelo Expresso confirmam que a falta de empenho de Passos no processo autárquico é uma das razões da desilusão que cresce em relação à liderança. O caso é ainda mais insólito quando há a convicção de que a sobrevivência do presidente do PSD pode depender dessas eleições.

Apesar desta atitude em público, o líder laranja tem-se desmultiplicado em deslocações ao terreno e, embora o discurso seja focado no Governo, as conversas têm abordado as autárquicas. Mas só nos bastidores. No sábado, dia 3, em Viseu, Passos reafirmou os calendários do PSD — autárquicas só a partir do primeiro trimestre de 2017 — e defendeu que “não há nenhuma razão” para andar “numa lufa-lufa”.