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Política

PSD começa a debater eutanásia e recusa acordos “à socapa” nos corredores

Eutanásia foi um dos temas debatidos na reunião de terça-feira à noite do Conselho Nacional

O PSD vai iniciar o debate dentro do partido sobre a eutanásia, recusando que sejam tomadas decisões sobre a matéria nos corredores do Parlamento ou assinados acordos "à socapa".

"O que pretendemos é mobilizar a sociedade portuguesa, abrir caminho para uma consciencialização que estas matérias, este tipo de assuntos, não se tratam nos corredores do parlamento, nem em encontros, nem em acordos assinados à socapa", afirmou terça-feira à noite o vice-presidente do PSD Marco António Costa.

Falando aos jornalistas enquanto decorria o conselho nacional, o órgão máximo do partido entre congressos, Marco António Costa adiantou que a eutanásia é uma matéria que deve envolver a sociedade, sendo importante que cada um possa livremente formular o seu juízo.

"Não estamos disponíveis para promover decisões no âmbito da Assembleia da República sobre matérias como estas da eutanásia sem um amplo debate na sociedade portuguesa", insistiu.

O tema da eutanásia, que chegará à Assembleia da República no próximo ano, deve ser discutido "sem preconceito", mas com "um grande sentido de responsabilidade", já que é um tema que "socialmente fraturante e, do ponto de vista dos princípios e da ética social, "um tema muito sensível", acrescentou o vice-presidente do PSD, adiantando que o primeiro debate será feito na reunião desta noite do conselho nacional, que decorre num hotel em Lisboa.

"Um debate aberto para ouvir os conselheiros nacionais e a partir daqui continuará a ocorrer dentro do PSD debate para ser formada uma opinião o mais sustentada possível sobre esta matéria", disse, recusando que o tema seja tratado de "forma leviana" e que seja tomada uma decisão sem discussão e reflexão.

Além da petição que pede a despenalizaçãoda morte assistida que será agendada para discussão no plenário da Assembleia da República em 2017, o BE e o PAN já anunciaram que apresentarão iniciativas próprias.

Nas declarações que fez aos jornalistas, já depois do líder do PSD, Pedro Passos Coelho, e do presidente da bancada social-democrata terem falado aos conselheiros nacionais, Marco António Costa fez questão de destacar as notícias conhecidas esta terça-feira sobre os testes PISA, sublinhando que "comprovam que todo o processo de reformas que o Governo liderado pelo PSD levou a cabo através do ministro Nuno Crato ao longo de quatro anos, foram reformas que trouxeram aos sistema educativo português resultados muito importantes".

"A melhor forma de defender escola publica é torná-la numa escola com qualidade", vincou.

O vice-presidente do PSD deu ainda nota da satisfação com que o partido conheceu a notícia de que o Governo tinha escolhido Paulo Macedo para presidir à Caixa Geral de Depósitos.

"Não deixa de ser curioso que o Governo tenha escolhido o ex-ministro da Saúde do nosso Governo para tratar da saúde da Caixa Geral de Depósitos", ironizou, lamentando tudo o que andou a ser dito de "forma injusta, inapropriada" e até "desavergonhadamente" sobre a ação de Paulo Macedo quando era governante.

Questionado se as eleições autárquicas estavam na agenda do conselho nacional, Marco António Costa assegurou que até àquele momento não tinha ouvido "nenhuma voz descontente" e recordou que o PSD tem "um calendário muito bem estabelecido" e que está "muito clarificado" na cabeça dos sociais-democratas "que o processo está a decorrer de acordo com as previsões".

A este propósito, o vice-presidente do PSD voltou a criticar a decisão do Governo de aprovar no Orçamento do Estado medidas que vão coincidir temporalmente com o período eleitoral das autárquicas, como o aumento extraordinário de pensões.

Recomendando algum "pudor democrático" ao Governo, Marco António Costa fez votos para que o executivo socialista "tenha cuidado para garantir a imparcialidade do Estado" durante o processo eleitoral.

"Queremos um processo leal e o que está a acontecer é uma deslealdade democrática com estas decisões que revelam despudor político do Governo", acusou.