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Política

Guilherme d'Oliveira Martins atribui problemas da CGD à crise de 2008

António Cotrim

Audição ao ex-ministro das Finanças marca regresso da Comissão Parlamentar de Inquérito ao processo que reconduziu à necessidade de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos

O antigo Ministro das Finanças Guilherme d'Oliveira Martins defendeu esta terça-feira, no Parlamento, que foi a crise financeira de 2008 que esteve na origem dos problemas com que o banco público se deparou nos últimos anos.

Na audição que assinalou o regresso aos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito ao processo que conduziu à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, Guilherme d'Oliveira Martins recordou que “em 2007 a rendibilidade de capitais próprios da CGD estava acima da média” e que mesmo em 2008, já depois do eclodir da crise, a rendibilidade do banco público, embora tenha caído, a rendibilidade ainda apresentava “um valor apreciável e positivo tendo em conta as consequências muito gravosas do subprime”. E de seguida concluiu que “foi a crise financeira” de 2008 a principal responsável pelos problemas que levaram à necessidade de recapitalização da CGD.

O antigo ministro das Finanças - cargo que ocupou entre 2001 e 2002 - recordou, de resto, que entre 1998 e 2008 o banco público pagou dividendos na ordem dos 2,7 mil milhões de euros, um montante que ultrapassou todas as injeções de capital feitas pelo acionista Estado no banco público durante esse período.

Numa audição em que recusou responder a algumas perguntas que extravasavam o período em que teve a tutela das Finanças e em que recusou aceder a pedidos de comentário do PSD sobre as auditorias externas à CGD pedidas por António Domingues - alegando para essa escusa o facto de ser presidente do Conselho Fiscal da CGD e de ter sido convocado para esta audição apenas na qualidade de ex-ministro das Finanças - Guilherme d'Oliveira Martins recusou ainda a ideia de que houvesse, no período em que foi ministro das Finanças, qualquer tipo de sinais sobre concessão de créditos problemáticos e que pudessem ter estado na origem dos problemas do banco público com o crédito mal parado.

“A concessão de crédito envolve sempre um risco. Não há certezas, há indicadores prudenciais que têm de ser seguidos e que estão subjacentes à atividade bancaria. Eu tinha confiança na gestão da CGD e toda a informação que tínhamos correspondia a essas a questões de prudência. O rigor relativamente às contas e à atividade bancária foi sempre uma preocupação que assumi sem qualquer tipo de tergiversação”, sustentou Guilherme d'Oliveira Martins.

Minutos antes, o antigo Ministro das Finanças já tinha recordado que, no período em que foi ministro, a maior preocupação em matéria de créditos relacionava-se com o crédito à habitação - onde a CGD “tinha uma quota de mercado muito significativa” - e onde “a preocupação fundamental era garantir uma gestão prudente” na atribuição desses créditos.