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Política

Marcelo sobre salários da CGD: “Decide quem pode...”

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...e quem pode, neste caso, é o Governo. António Costa não cede ao desejo do Presidente da República e vai pagar a Paulo Macedo o que pagava a António Domingues: 423 mil euros/ano

O Presidente da República assume que perdeu a guerra dos salários na Caixa Geral de Depósitos. Marcelo Rebelo de Sousa queria aproveitar a mudança em curso no banco público para baixar os salários dos administradores, mas o primeiro-ministro já disse que esta é "uma questão ultrapassada".

"A minha posição é conhecida e não mudou. Mas decide quem pode...", afirmou Marcelo durante a visita que esta segunda-feira faz à Beira Interior. Horas antes, confrontado com as reservas do Presidente a que se mantenha o salário que foi pago a António Domingues – 423 mil euros/ano ou cerca de 30 mil euros/mês –, António Costa foi perentório: "Os vencimentos estão fixados. A legislação está em vigor e não a vamos mudar”.

Politicamente, o primeiro-ministro quis afastar a ideia de ter pago o salário que pagou a António Domingues por razões pessoais exigidas pelo ex-presidente da Caixa. "O Governo não fixou uma remuneração ad domini", afirmou o primeiro-ministro. A justificação encontrada pelo Executivo para o valor encontrado é que resulta da mediana dos vencimentos praticados pelos maiores bancos.

Isto só foi possível porque, a pedido de António Domingues, o Governo tirou a administração da CGD do estatuto do gestor público. O tema vai voltar a ser discutido esta terça-feira, no Parlamento, com nova proposta do PSD para travar os salários em causa. O BE e o PCP concordam com a baixa mas divergem nos valores, o que torna praticamente impossível qualquer alteração.