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Marcelo sobre Domingues e Macedo: “O segundo vinho é o melhor”

ANTÓNIO COTRIM / Lusa

Presidente da República recorreu à Bíblia para ilustrar, num jantar com jornalistas estrangeiros, como está confiante na solução encontrada para a CGD. Marcelo acha Paulo Macedo melhor do que António Domingues

Sexta-feira passada, o Presidente da República ofereceu um jantar a cerca de trinta jornalistas estrangeiros e não conseguiu escapar ao tema político da semana – a substituição do presidente da Caixa Geral de Depósitos. Marcelo Rebelo de Sousa não se atrapalhou. Recorreu ao relato bíblico das Bodas de Caná e concluíu, com confiança e otimismo, que "o segundo vinho é o melhor".

E o que diz a Bíblia? No Evangelho de João (João 2:1-11), lê-se que durante um casamento em Caná, para o qual Jesus e os seus discípulos foram convidados, acabou-se o vinho. A mãe de Jesus diz ao filho: "Eles não têm mais vinho". E Jesus ordena que encham os vasilhames com água e a deem a provar ao presidente da mesa. A água transformara-se em vinho, um vinho melhor do que o primeiro.

O presidente da mesa estranha. "Todo o homem põe primeiro o bom vinho, e quando os convidados têm bebido bastante, então apresenta-lhes o inferior. Mas tu guardaste o bom vinho até agora". Segundo relatos de presentes no jantar, foi com esta passagem da Bíblia e daquele que tem sido considerado o primeiro milagre de Jesus, que Marcelo transmitiu a ideia de que nem sempre o que chega primeiro é o melhor.

Ficaram os presentes a saber que, na opinião do Presidente da República, a Caixa Geral de Depósitos ficou a ganhar com a troca. Ou seja, que valeu a pena esperar e que o segundo, Paulo Macedo, é melhor do que o primeiro, António Domingues.

PR favorável a salários mais baixos na CGD

Satisfeito com a solução encontrada pelo Governo para a CGD, Marcelo discorda do montante que estão a pensar pagar-lhe. Como o Expresso noticiou, o PR é favorável a que se aproveitasse a mudança em curso para se rever o teto salarial do presidente da Caixa, tornando-o mais conforme com o que ele próprio defendeu, a 30 de junho, no decreto de promulgação das alterações ao estatuto do gestor público.

Na altura, o Marcelo alertou que na banca privada que recebeu dinheiros do Estado houve cortes salariais até 50% para os administradores. E avisou o Governo de que, neste contexto, devia acautelar "o interesse público".

Sábado, o Presidente confirmou ao "Público" que não mudou de opinião. Mas o Governo está decidido a pagar a Paulo Macedo o que pagou a António Domingues e a única hipótese de ainda se mexer nos tetos salariais era PSD, BE e PCP chegarem a acordo no debate que esta terça-feira decorre no Parlamento sobre esta questão.

Marcelo Rebelo de Sousa vai andar esta segunda-feira pela Beira Interior, em mais um Portugal Próximo. E prometeu falar da Caixa "logo de manhã, bem cedinho".