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Eurogrupo desvaloriza impacto do referendo italiano na moeda única e nos mercados

JOHN THYS/GETTY

Zona euro rejeita fazer uma leitura europeia do resultado do referendo. Presidente do Eurogrupo e Comissão defendem que Itália tem uma economia forte

O presidente do Eurogrupo defende que Itália tem uma economia forte e desvaloriza para já eventuais consequências do referendo deste domingo. “É um processo democrático e não muda a situação em Itália nem a dos bancos italianos. Os problemas que temos hoje são os mesmos que existiam ontem”, disse esta manhã Jeroen Dijsselbloem, à entrada para a reunião de ministros das Finanças que está a decorrer em Bruxelas.

O também ministro holandês das Finanças rejeita fazer uma leitura europeia do “não” que os italianos disseram à reforma constitucional no país. “A Itália é uma economia forte, é uma das maiores da zona euro. É um país com instituições fortes. Haverá um novo governo que irá lidar com a situação económica”, disse, adiantando que é necessário esperar pelo resultado do processo político desencadeado pela demissão de Matteo Renzi.

Itália tem uma das dívidas públicas mais altas da zona euro e um sistema bancário que não está isento de preocupações.

Questionado sobre se o Banco Central Europeu deveria intervir para garantir a estabilidade do sistema financeiro, Dijsselbloem voltou a relativizar os efeitos da votação italiana. “Até agora acho que os mercados reagiram de forma bastante calma. É muito cedo para dizer. Mas se isto é a reação do mercado não parece que sejam precisas medidas de emergência”.

"O impacto nos mercados foi moderado", acrescentou também o ministros espanhol, Luis de Guindos. "Eu acho que os mercados já estavam preparados para o resultado do referendo", disse à entrada para o encontro entre os ministros das Finanças da Moeda Única.

Também o ministro francês, Michel Sapin, recusa ver no resultado de domingo uma crítica ao projeto europeu e ao Euro. “O referendo não era sobre a política europeia. A Itália é um país forte e ancorado na construção europeia”, disse antes de entrar para a reunião onde esta segunda-feira não estará o homólogo italiano, Pier Carlo Padoan.

“Estou confiante de que as autoridades italianas têm os meios e a capacidade para lidar com esta situação. A Itália é um país forte. É um país no qual se pode confiar”, disse Pierre Moscovici. O Comissário para os Assuntos Económicos elogiou esta manhã Matteo Renzi, pelas reformas sociais e económicas feitas.

Em Bruxelas, Moscovici rejeitou o cenário de uma nova crise económica, desencadeada pela situação em Itália. “Estou confiante de que não haverá uma tal crise”, disse, adiantando que a UE tem “os meios para resistir a qualquer choque político na Europa”.

O Comissário para os Assuntos Económicos recusa ainda que Bruxelas tenha colocado demasiada pressão sobre o governo Renzi – por causa das metas do défice e da redução da dívida - levando um sentimento anti-europeu nos italianos. “Este não é um voto anti-Europa”, concluiu.