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Política

PCP e controlo das contas: “é anti-democratico” e “persecutório”

Ana Baião

Francisco Lopes foi a voz comunista a manifestar-se conta a lei do financiamento dos partidos e a entidade de controlo das contas. “A pretexto da transparência e do rigor, promove a ingerência e o estrangulamento financeiro” do PCP, diz o alto dirigente

As críticas não são novas, mas foi pela voz de um dos mais altos quadros do PCP que elas foram retomadas no XX congresso. Francisco Lopes, membro do comité central recem eleito (com 98,6% dos votos dos delegados), assim como do secretariado e da comissão política do partido, veio à tribuna justificar que o património acumulado pelos comunistas, assim como as receitas angariadas (nomeadamente através da festa do avante) são parte da estratégia política.

"Os nossos meios próprios são indispensáveis", disse para explicar como o PCP "tem que ter os meios financeiros, os seus centros de trabalho e instalações de apoio, o espaço da festa do avante, os equipamentos do mais diverso tipo, os seus meios de propaganda e imprensa". Tudo porque "não aceitamos dependência nem dos grupos económicos e financeiros, nem do estado, não somos sucursal política dos grupos monopolistas, não somos departamento do Estado".

Por isso, Francisco Lopes acha que as leis eleitorais sobre o financiamento dos partidos "a pretexto da transparência e do rigor" mais não fazem do que promover "a ingerência e o estrangulamento financeiro". Neste âmbito, a Entidade das Contas, criada junto do Tribunal Constitucional serve de "obscuro centro de desinformação", que permite o crescimento "da difamação e da arbitrariedade".

O tema do património comunista tem sido um dos que mais reações provoca junto dos delegados e foi motivo de várias referências ao longo dos três dias de congresso. Francisco Lopes protagonizou a intervenção mais dura. Acha mesmo que a atitude "persecutória" sobre o património partidário foi agora alargada "a pretexto dos impostos. Não são episódios isolados, é um processo anti-democratico", afirmou.