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João Oliveira: “Vamos tirar o máximo” do acordo com PS

Ana Baião

Líder parlamentar do PCP avisa que o partido “não se diluiu”, “nem é suporte do Governo”, antes vai continuar a lutar “pelos trabalhadores”, tal como Cunhal defendia

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

"O que conseguimos é resultado de luta e não de uma dádiva do Governo ou da Assembleia da República", avisou o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, na manhã do segundo dia de trabalhos do XX Congresso do PCP.

Num discurso muito aplaudido, o deputado deixou bem vincada a posição dos comunistas na inédita 'geringonça' formada há um ano: "o que há a fazer é levar tão longe quanto possível os avanços" e "tirar o máximo desta relação de forças, em defesa do povo".

Para que não restem dúvidas, João Oliveira sublinhou que esta nova solução política não diminui o PCP e que se enquadra naquilo que é a linha do partido: lutar, lutar sempre pelos direitos dos trabalhadores. "O PCP não se diluiu, não está condicionado por um acordo de incidência parlamentar, não é suporte do Governo, mantém a sua independência e autonomia e toma as suas decisões em função do que entende ser melhor para servir os trabalhadores e o povo, não fizemos nosso o programa de governo do PS". Mais: "esta solução política não é a solução do PCP, está condicionada pela atual correlação de forças".

O objetivo último do PCP do acordo assinado com o PS a 10 de novembro do ano passado é sempre "impedir que política do PSD seja desenvolvida, seja pela mão de quem for".

João Oliveira recuou a novembro de 2015, para lembrar o Governo do PSD que "durou 10 dias" e "foi apadrinhado por Cavaco Silva", provocando um valente assobio coletivo na sala, e "os papagaios do capital que desvalorizavam a nossa

luta, dizendo que era inconsequente".

"Afinal a nossa luta conta mesmo e vale a pena lutar", concluiu, citando Álvaro Cunhal: "é justa, empolgante e invencível a causa por que lutamos".