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Política

Jerónimo estabelece oito prioridades para o país

Ana Baião

Houve duas grande interrupções para aplausos na intervenção inicial do secretário-geral do PCP no XX Congresso do partido: a alusão ao “momento de tristeza” vivido pela morte de Fidel Castro e a referência ao património do PCP. O congresso começou esta sexta-feira e prolonga-se até domingo, em Almada

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, estabelece oito prioridades para o país, tendo em conta o "atual quadro político". Desses oito aspetos prioritários que passam pela valorização dos trabalho ou o alívio da carga fiscal, dois distanciam-se do programa dos socialistas, marcando assim uma distância em relação à política do PS. Jerónimo reforça, assim, que o atual quadro político "permite ao PCP manter total liberdade e independência políticas", reafirmando o "seu programa e projeto".

As declarações foram feitas esta sexta-feira na intervenção inicial do líder dos comunistas, no XX Congresso do PCP, no Complexo Desportivo em Almada, no qual estão presentes cerca de 1200 delegados comunistas. O congresso teve início esta sexta-feira e prolonga-se até domingo.

Entre os oito aspetos prioritários destacados pelo líder do PCP está a "libertação do país da submissão do euro e das imposições e constrangimentos da União Europeia" e a "renegociação da dívida pública", dois pontos que claramente se opõem às políticas defendidas pelo PS.

O PCP defende também como prioridade a "garantia do controlo público da banca, a recuperação para o sector público dos sectores básicos estratégicos da economia", o que também poderá distanciar-se das políticas dos socialistas, ao defender a totalidade da banca sob controlo público.

A valorização do trabalho e dos trabalhadores "assente no aumento dos salários, no pleno emprego, na defesa do trabalho com direitos, no combate ao desemprego e à precariedade e em maiores reformas e pensões" é um dos restantes objetivos dos comunistas para o país.

A "defesa e promoção da produção nacional e dos sectores produtivos", a "garantia de uma administração e serviços públicos ao serviço do povo e do país" – valorizando o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública e o sistema de Segurança Social público, a defesa de uma política de justiça fiscal "que alivie a carga fiscal sobre os rendimentos" e a defesa do "regime democrático e do cumprimentos da Constituição" combatendo a corrupção são as restantes prioridades elencadas.

Um dos momentos principais da sua intervenção foi a referência ao "momento de tristeza" vivido pela morte de Fidel Castro, líder cubano. "Neste momento de tristeza para os comunistas, revolucionários e progressistas de todo o mundo", afirmou Jerónimo, "o PCP presta e reafirma a homenagem à sua excecional figura de patriota e revolucionário comunista". Os cerca de 1200 delegados comunistas presentes no congresso, em Almada, aplaudiram, levantaram-se e gritaram "Cuba vencerá".

Já no final do seu discurso, Jerónimo de Sousa fez referência ao "êxito" da campanha nacional para adquirir a Quinta do Cabo e alargar o terreno da Festa do Avante. Acrescentando uma nota à sua intervenção, o líder dos comunistas fez uma referência ao património do partido. "Andam por aí preocupados com o PCP como grande proprietário", disse, lembrando que muito do património do partido é fruto de doações. Os dirigentes comunistas levantaram-se e aplaudiram de pé as palavras de Jerónimo.

Ana Baião

"A nova fase da vida política nacional"

Ainda antes de listar as oito prioridades que o PCP estabelece para o país, Jerónimo de Sousa falou da solução encontrada para estabelecer o atual Governo. O líder comunista não o vê como um acordo de incidência parlamentar, mas sim "uma solução que permitiu a formação e entrada em funções de um governo minoritário do PS com o seu próprio programa, onde está presente um compromisso de reverter direitos e rendimentos".

"A nova fase da vida política nacional não traduz um governo de esquerda, nem uma situação em que o PCP seja força de suporte ao governo por via de um qualquer acordo de incidência parlamentar que não existe", reforça.

Contudo, esta opção de "convergência" é um mal menor face ao quadro político anterior, permitindo "contribuir para a interrupção da ação destruidora do governo PSD/CDS".

[notícia atualizada às 12h56]