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Paulo Macedo a caminho da administração da CGD

MÁRIO CRUZ / Lusa

Ex-ministro da Saúde começou por resistir perante convite do Governo, mas mudou de ideias

Paulo Macedo deverá ser o futuro presidente da Caixa Geral de Depósitos. Segundo o Jornal de Negócios, o ex-ministro da Saúde de Pedro Passos Coelho prepara-se para aceitar o convite do Governo, depois de inicialmente ter resistido ao convite.

Macedo, que já integrou a administração do BCP e está agora na Ocidental Vida, foi um dos nomes noticiados pelo Expresso há três semanas como forte hipótese para suceder a António Domingues, caso este se demitisse, o que veio a acontecer no final da semana passada.

Segundo a SIC, Paulo Macedo já está a formar a nova equipa. Do grupo de Domingues, só ficaram em funções três administradores. Um dos nomes contactado, noticia o Público, será o de José João Guilherme, que integrou a equipa de Eduardo Stock da Cunha no Novo Banco.

Dia 12 de novembro, António Costa tinha dito que "não há nenhum plano B para a Caixa, nem há nenhuma razão para polémica" sobre a entrega das declarações de rendimentos dos administradores do banco público.

  • As declarações de rendimentos, instrumento essencial numa democracia

    Ao longo das últimas décadas, acompanhando o desenvolvimento dos tratados anticorrupção pelo mundo fora, a obrigação de declarar património tornou-se cada vez mais comum. Neste momento, uma larga maioria dos países consagra-a legalmente, com graus de abrangência diversos. E a tendência é para permitir que os cidadãos comuns acedam a elas

  • O que terá incomodado Domingues é a descoberta de que as empresas do Estado respondem perante o Estado. E o sinal que encontrou disso mesmo não foi qualquer intervenção indevida na vida interna do banco, como as que já tantas vezes aconteceram como bloco central. Foi a aprovação de uma lei que reafirma a ilegalidade de qualquer tratamento de exceção para os administradores da Caixa. O incómodo de Domingues é coerente com as exigências pouco razoáveis que fez para aceitar o lugar. Acha que é tão bom que a lei não se lhe deve aplicar e tão extraordinário que os deputados devem suspender as suas funções quando ele e os seus administradores estiverem em causa. Disse-se que António Domingues era o melhor. Mas alguém que, em tão pouco tempo, criou tantos problemas, fez tantas exigências e demonstrou tão pouca falta de talento a lidar com os mais banais inconvenientes que surgem a quem gere a coisa pública está muito longe de ser a melhor escolha para dirigir a CGD. A delirante arrogância de António Domingues não isenta de culpas quem o convidou e lhe ofereceu o que não podia oferecer. Mas é uma boa lição para quem julga que para ser um bom gestor público bastam qualidades técnicas específicas