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Comité Central do PCP perde históricos antifascistas

AFP / Getty

Próximo orgão máximo da direção comunista está mais jovem e mantém o peso dos operários na organização.O tempo passa e já só Ruben de Carvalho tem curriculum como ex-preso pela PIDE

São 146 membros do comité central, que será votado no Congresso do PCP, que arranca esta sexta-feira em Almada. O esforço de renovação é grande e fez com que 25 dirigentes deixassem o cargo de direção, para dar entrada a 21 novas caras. Os comunistas continuam o esforço de remodelação de quadros e, com isso, o próximo comité central tem menos peso dos históricos: sai Albano Nunes, um herói da clandestinidade, ou o poeta Manuel Gusmão, ou ainda Manuela Bernardino, com passado antifascista. Só Ruben Carvalho, o 'pai' da Festa da Avante, representa no comité central o exemplo de um comunista que passou pelas prisões da ditadura.

"É a lei da vida, o tempo passa e o 25 de Abril já foi há mais de 40 anos", diz Ruben de Carvalho. O desaparecimento de históricos comunistas da lista do comité central é visto como um sinal dos tempos e desvalorizado o seu significado político. Aliás, desde 2008 que a saída dos velhos resistentes se foi tornando evidente. Nesse ano, deixaram a direção comunista Carlos Costa, Honório Novo ou Vitor Dias e a saída de Costa - um dos antifascistas com mais tempo de prisão e de isolamento - motivou, na altura, oito votos de protesto de membros do comité central. No último Congresso, realizado em 2012, foi a vez de Domingos Abrantes e de Odete Santos.

Quatro anos depois, a tendência mantém-se. Saem os 'velhos' resistentes, entram novos quadros. A média de idades é agora de 43 anos, contra os 54 anos do último comité central eleito, o que demonstra o esforço de 'rejuvenescimento' que o PCP sempre disse querer prosseguir. Os operários continuam a ter uma expressão muito significativa, a ocupar 37% dos lugares de direção (uma ligeira subida em relação ao último Congresso, onde o seu peso era de 32%).

Alma Rivera, a candidata que o PCP colocou em 6º lugar na lista por Lisboa das últimas legislativas - e que acreditou ter possibilidades de chegar ao Parlamento - é um dos novos rostos do comité central. Com ela, entra ainda a deputada Paula Santos, que se junta a Jerónimo de Sousa, João Oliveira, António Filipe, Francisco Lopes e Bruno Dias na lista de parlamentares com assento na direção do PCP. Cláudia Varandas, de apenas 21 anos, é a mais jovem dirigente comunista, contra Carlos Carvalhas, que, aos 75 anos, se torna o mais velho membro do comité central do PCP.

O próximo comité central reduz novamente o número dos seus membros, passando de 149 para 146. O peso das mulheres mantém-se inalterado. Hoje, como há quatro anos, elas representam um quarto dos lugares da direção do PCP.