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Matosinhos: Narciso Miranda avança e baralha autárquicas

Rui Duarte Silva

Narciso Miranda volta a candidatar-se em Matosinhos como independente nas autárquicas de 2017. Diz que o concelho vive um “vazio político”

Narciso Miranda volta a candidatar-se a Matosinhos como independente nas autárquicas de 2017, reativando o movimento Matosinhos Sempre. O ex-autarca conta anunciar oficialmente a candidatura durante o mês de fevereiro.

Em declarações ao Expresso, o ex-presidente da câmara diz “sentir a obrigação” de dinamizar uma candidatura independente face ao “vazio político que se criou no espaço eleitoral”.

Barriga de aluguer

Na sua leitura, este vazio decorre da “desilusão dos matosinhenses” que votaram em 2013 no independente Guilherme Pinto e verificam agora que a candidatura evoluiu para uma operação partidária “de barriga de aluguer”, com o acordo celebrado com o PS para 2017. Os eleitores que escolheram esta candidatura “sentem-se órfãos”.

Depois, regista a "imposição de um nome" (Luísa Salgueiro) pelo aparelho do PS, ao arrepio da vontade da concelhia local, "gerando clivagens insanáveis e fragilizando a candidatura socialista". Finalmente, regista a subida inesperada da abstenção (menos 26 mil eleitores) entre 2009 e 2013, num sinal de que uma franja do eleitorado não se revia nas candidaturas apresentadas.

Ausência em 2013 não belisca

Em 2013, Narciso apoiou a lista do PS, liderada por António Parada, por ser da ala segurista e que obteve apenas 23% dos votos. Em 2009, com o seu movimento, Narciso perdera para Guilherme Pinto, então com a camisola do PS. Mas, seduziu 33% dos votantes e elegeu quatro vereadores.

Segundo o ex-autarca, a falta de comparência em 2013 "não belisca a popularidade" nem compromete o sucesso da nova ofensiva autárquica.

Além do "apoio generalizado e incentivos" que recebe dos matosinhenses, Narciso justifica o seu otimismo numa sondagem que indicia uma vitória folgada. Segundo Narciso, a sondagem concede-lhe, no cenário mais desfavorável, 40%, atribuindo ao PS um resultado de 26% (com Luísa Salgueiro) ou 23%, se o candidato foi o líder concelhio Ernesto Páscoa.

Narciso é um dos dinossauros autárquicos, com um acumulado de 29 anos como presidente, após uma primeira eleição em 1977. A sua expulsão de militante do PS, em 2009, está no Tribunal Constitucional. O ex-autarca alega que não se pôde defender porque nunca foi ouvido.