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Líder dos socialistas europeus candidata-se a presidente do Parlamento Europeu

O italiano Gianni Pittella vai anunciar esta quarta-feira a sua candidatura à presidência do Parlamento Europeu, depois da saída de Martin Shulz. António Costa foi consultado

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

YAMIL LAGE / AFP / Getty Images

Gianni Pittella, líder do grupo dos socialiostas europeus (S&D), anunciou esta quarta-feira a sua candidatura ao cargo de presidente do Parlamento Europeu, em substituição do alemão Martin Shulz, que sai agora para voltar à política nacional e candidatar-se às eleições, que se deverão realizar no próximo outono.

O próprio Pittella liderou as conversações, nomeadamente falando com diversos líderes europeus, como os primeiros-ministros António Costa, o italiano Matteo Renzi e o grego Alexis Tsipras, bem como o Presidente francês François Hollande.

"Com a saída de Martin Shulz o equilíbrio das famílias políticas nas instituições europeus mudou, não aceitaremos nunca o monopólio da direita para controlar as instituições da UE. Não é um problema de pessoas mas uma questão de princípios e de projetos", afirmou Pittella.

Os Socialistas e Democratas são a segunda força mais votada no Parlamento e detêm a maioria a nível govenamental, recusando assim ficar de fora de um dos três cargos de topo nas instituições europeias, isto é, o presidente do Conselho Europeu, da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu e evitar o monopólio do PPE.

Atualmente, a presidência do Conselho Europeu é exercida por um membro do PPE, o polaco Donald Tusk e a da Comissão Europeia por Jean-Clude Juncker, também membros do PPE. Com a saída de Shulz quebra-se o equilíbrio e os socilaistas querem negociar a sua participação.

O mandato de Juncker é de cinco anos, mas o do Conselho Europeu é de dois anos e meio. Um acordo de longa data prevê que no Parlamento Europeu metade do mandato de cinco anos seja exercido por um socialista e outra por um popular. Mesmo que Shulz não tivesse saído, a questão ia colocar-se, embora se admitisse que se ele se candidatasse poderia obter o apoio dos populares, como aconteceu na legislatura anterior.

Os socialistas querm assim que no tabuleiro das negociações se entre igualmente em conta com o cargo do presidente do Conselho Europeu, cujo mandato também termina em janeiro. Deste modo a apresentação de Pittella é um primeiro passo para as negociações.

Pittella é considerado um "lutador", num estilo de linguagem mais agressivo. "Queremos por fim à austeridade cega e aos egoísmos nacionais que deterioram a União Europeia", disse, ao aceitar candidatar-se. "As ideias, princípios e estratégias da esquerda rerpresentam uma alternativa às reivindicações da direita. Se queremos enfretnar os desafios e ameaças atuais, não podemos contentarnos com o statu quo".

Pittella não está só na candidatura ao cargo, enfrentando previsivelmente dois concorrentes do grupo liberal. O PPE só em dezembro escolherá o seu candidato.