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Sousa Pinto: “Não me vou prostrar em homenagem a um ditador”

Alberto Frias

Vários deputados socialistas anunciaram declaração de voto sobre texto de pesar do PS pela morte de Fidel Castro. Presidente da comissão de Negócios Estrangeiros saiu da sala no momento da votação

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

O deputado do PS e presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros saiu da sala no momento de votação dos textos de pesar sobre a morte de Fidel Castro. Sérgio Sousa Pinto foi um dos vários deputados que não se associaram aos textos de homenagem e em declaração ao Expresso justificou: "Devo ao 25 de Abril ter crescido em liberdade e democracia. Não me vou prostrar em homenagem a um ditador que negou ao seu povo o que eu prezo acima de tudo".

No voto de pesar, o PS diz que Fidel Castro foi "uma figura de importância central na leitura do século XX" e cujo legado na história latino-americana e internacional, segundo os socialistas, "será certamente objeto de extensa análise historiográfica nas décadas vindouras e, tal como hoje já sucede, de intenso e apaixonado debate entre os que aderem ou se opõem ao seu percurso ideológico e político".

Recordando que Fidel Castro foi "determinante no aprofundamento das relações diplomáticas e de proximidade entre Portugal e Cuba após a Revolução do 25 de Abril", o voto de pesar do PS defende ainda que o antigo Presidente cubano "sempre estimou os laços que unem os dois povos".

O voto de pesar dos socialistas foi aprovado esta tarde com os votos da esmagadora maioria dos deputadps socialistas e teve também parecer favorável das bancadas do BE, do PCP e d'Os Verdes. O PSD e o PAN abstiveram-se e o CDS votou contra (apesar de alguns deputados centristas também terem optado pela abstenção).

O PCP também apresentou um voto de pesar a defender que "para além de naturais diferenças de opinião que possam existir quanto às suas convicções ideológicas, Fidel Castro foi uma personalidade cuja dimensão foi universalmente reconhecida, não apenas pelos que partilham do seu ideal e projeto de construção de uma sociedade mais justa e solidária, mas também pelos mais diversos estadistas e dirigentes ao nível mundial."

O voto de pesar dos comunistas foi aprovado com os votos favoráveis das bancadas do PCP, do BE e d'Os Verdes, o voto contra do CDS e a abstenção do PAN, do PS e do PSD.

No final da votação, vários deputados do PS, CDS, BE e PSD anunciaram a intenção de apresentar declarações de voto sobre estes votos de pesar sobre a morte de Fidel Castro.

Numa delas, 11 deputados do PSD – entre os quais, Duarte Marques, Miguel Morgado, Andreia Neto, Margarida Balseiro Lopes ou António Leitão Amaro –defendem que "não negam a presença do ex-líder cubano na história do séc. XX, nem a necessidade de aprofundamento das relações entre Portugal e Cuba", mas assumem que "não podem pactuar com branqueamento da faceta de ditador de Fidel Castro" ou "esquecer as constantes violações dos direitos humanos, a inexistência de liberdade de imprensa, as perseguições aos seus opositores, a existência de presos políticos em Cuba, o desaparecimento e assassínio de diversos ativistas pela democracia e liberdade em Cuba, bem como os fuzilamentos de cubanos que tentaram fugir para os Estados Unidos".