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Política

PSD diz que Costa “não pode dar à sola e não assumir responsabilidades” na CGD

Marcos Borga

PSD acusa Costa de “lavar as mãos” num processo em que foi “ator principal” e não coloca de parte a possibilidade de chamar o primeiro- ministro à Comissão Parlamentar de Inquérito ao processo que conduziu à necessidade de recapitalização da CGD

O PSD insistiu esta segunda-feira na necessidade de o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, dar explicações ao país e ao Parlamento sobre o processo de nomeação – e agora de demissão – do presidente da Caixa Geral de Depósitos. "A demissão não apaga nem os deveres de entrega das declarações nem os deveres de explicação", defendeu esta segunda-feira o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro.

Além de defender que a administração demissionária da CGD "deve explicar cabalmente as razões do seu pedido de demissão", Montenegro insistiu ainda que "o Governo deve dizer mais, muito mais do que o comunicado de ontem à noite".

"O primeiro-ministro tem muito a explicar porque é o actor principal deste filme. Assistimos à sua declaração desta manhã, mais um avez a fugir às suas resposnabilidades, mas ele é o mentor de toda a estratégia do Governo a propósito do sistema financeiro e também da CGD", argumentou o líder parlamentar do PSD. "Não pode por assim dizer dar à sola e não assumir as suas responsabilidades quando o Governo enfrenta dificuldades".

Até porque, para o PSD existem ainda "muitas perguntas por responder" em todo o processo de nomeação da nova administração, de negociação da recapitalização do banco público e, agora, de demissão de António Domingues. "Porque se demitiram os administradores? Que informação tiveram antes de terem sido nomeados e depois de terem sido nomeados? Como é que os interesses da CGD estão acautelados? Houve ou não conflito de interesses, quando António Domingues acumulou a função de representar o Estado nas negociações com a UE, quando era administrador do BPI?", exemplificou Montenegro.

Sobre as críticas do PS ao papel desempenhado pelo PSD em todo este processo – nomeadamente as críticas de João Galamba sobre o facto de o PSD ser ter alegadamente empenhado em perturbar a recapitalização da CGD – Monmtenegro defendeu que o que traz "instabilidade ao sector financeiro" é "a falta de transparência de todo este dossiê".

"Andamos há 11 meses a pedir explicações ao Governo e o Governo nunca quis dar. E ainda esta manhã o Primeiro Ministro continuou a dizer que isto não é nada com ele. O Ministério das Finanças reduz-se a um comunicado e o primeiro-ministro lava as mãos...", criticou o líder parlamentar do PSD, que não colocou de parte a possibilidade de chamar António Costa à Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD "para cumprir o papel de fiscalização em nome dos portugueses".