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Universidade de Genebra não renova com Durão Barroso

© Peter Andrews / Reuters

Em causa, estarão incompatibilidades entre a docência e o cargo de chairman na Goldman Sachs, diz a imprensa suíça

Helena Bento

Jornalista

Durão Barroso vai deixar de ser professor na Universidade de Genebra e do Instituto de Altos Estudos Internacionais e do Desenvolvimento no final deste ano, uma vez que o seu contrato não foi renovado. Na base da decisão estará a existência de incompatibilidades entre a docência e o cargo de chairman na Goldman Sachs, revela o jornal suíço “Le Temps”.

“O contrato de José Manuel Barroso era por dois anos e termina no final deste ano. Não havia qualquer disposição contratual que previsse a renovação”, disse ao jornal o vice-reitor da universidade, Jacques de Werra, não confirmando, portanto, que o novo emprego do ex-presidente da Comissão Europeia no banco de investimento tenha estado na origem da decisão.

Barroso “cumpriu plenamente o seu mandato”, disse o vice-reitor. Questionado sobre a possibilidade de o contrato ser renovado caso o professor convidado não tivesse aceite o emprego naquela instituição, Jacques de Werra respondeu que isso é uma “questão abstrata”.

Antes de ter sido anunciado o seu novo cargo na Goldman Sachs, Durão Barroso avisou a universidade de que teria, a partir de então, “menos tempo disponível” porque iria trabalhar para uma grande empresa, mas não revelou qual. “Disse-nos apenas que não nos ia agradar”, afirmou René Schwok, diretor do Global Studies Institute, onde o português dava aulas, citada pelo “Le Temps”.

Recorde-se que a ida do ex-primeiro-ministro português para a Goldman Sachs suscitou muitas críticas e reações negativas nos órgãos de comunicação social, sobretudo porque o banco de investimento norte-americano é visto como “o expoente de um banco de investimento agressivo”, muito criticado pelo seu papel no desencadear da crise financeira de 2008 e por ter ajudado a maquilhar as contas da dívida grega.