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Demissão do chefe da Armada: oposição apela a Marcelo e pede explicações ao Governo

António Cotrim / Lusa

PSD e CDS não estavam à espera que o atual chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Macieira Fragoso, não fosse reconduzido e vão pedir explicações ao Governo

Os deputados João Rebelo (CDS-PP) e Pedro Roque (PSD) manifestaram-se esta quinta-feira surpreendidos pela não recondução do almirante Macieira Fragoso na chefia da Marinha e vão exigir explicações ao Governo.

"Apelamos ao senhor Presidente da República, como Comandante Supremo das Forças Armadas e em última instância quem nomeia o próximo CEMA, para que acompanhe com muito cuidado esta situação e que tenha uma intervenção que modere e reequilibre tudo o que tem a ver com este processo", disse à Lusa João Rebelo.

O deputado afirmou esperar que "por trás de tudo isto não exista outro tipo de motivações absolutamente alheias à dinâmica normal da substituição de um chefe militar" e considerou que o ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, e o Governo devem esclarecimentos ao parlamento e ao país.

"A partir do momento em que está na praça pública, o Governo deve essas informações ao país e ao parlamento", disse o deputado centrista, afirmando que "tudo levava a crer" que Macieira Fragoso, nomeado em 2013, seria reconduzido no cargo, o que a lei permite, por mais dois anos.

Segundo João Rebelo, Macieira Fragoso "era apreciado por todos os partidos por causa da franqueza e da qualidade de informação que era prestada" ao parlamento e também pela "visão muito positiva" da forma como exerceu as suas funções na chefia da Marinha.

PSD surpreendido

Já o coordenador do PSD na comissão parlamentar de Defesa Nacional, Pedro Roque, confessou ter ficado “surpreendido com a notícia", acrescentando que a decisão "levanta um conjunto de preocupações" e exige "explicações cabais" por parte do ministro da Defesa.

Em declarações à Agência Lusa, Pedro Roque elogiou a forma como Luís Macieira Fragoso desempenhou as funções de chefe do Estado-Maior da Armada, cargo para o qual foi nomeado em 2013 pelo então Presidente da República Cavaco Silva e cujo mandato termina no próximo dia 8.

"Levanta-nos um conjunto de preocupações, sobretudo porque fazemos uma avaliação positiva do trabalho desenvolvido pelo almirante Macieira Fragoso à frente quer da Marinha, quer da Autoridade Marítima Nacional, e mormente na questão da modernização e reequipamento daquele ramo das Forças Armadas, que tem uma tradição fortíssima em Portugal", sublinhou Pedro Roque.

O deputado do PSD afirmou que, caso se confirme que Macieira Fragoso não será reconduzido, "o ministro da Defesa possa dar uma explicação cabal" dos motivos que levaram a essa decisão.

Tanto mais, disse, que "aproxima-se a altura da designação de um novo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas [em fevereiro] e, de acordo com a rotatividade dos ramos, essa designação pertenceria desta vez ao ramo da Marinha".

Luís Macieira Fragoso tomou posse como CEMA a 9 de dezembro de 2013, por proposta do anterior governo PSD/CDS-PP.