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Marcelo diz que estabilidade superou expectativas e rejeita “centrão artificial”

NUNO FOX / Lusa

Segundo o chefe de Estado, atualmente existe no país uma "estabilidade que é desejável, e que o PR tudo tem feito para que se mantenha, na área do Governo, como na área da oposição, no plano dos partidos, como no plano das suas lideranças”

O Presidente da República considera que a estabilidade política e social com a atual fórmula governativa superou as expectativas e que, neste quadro, "um centrão artificial imposto na governação do país seria pouco clarificador".

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu esta posição num discurso de cerca de 45 minutos na abertura da conferência "Que direção para Portugal e a Europa?", promovida esta quarta-feira pelo "Jornal de Negócios", no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa.

"Neste momento, tudo o que seja configurar um centrão artificial imposto na governação do país seria pouco clarificador. O clarificador é conhecer-se exatamente aquilo que é proposto por cada uma das fórmulas governativas que no momento existem, e que podem existir e desejavelmente deveriam existir até ao fim da legislatura", afirmou.

Segundo o chefe de Estado, atualmente existe internamente uma "estabilidade que é desejável, e que o Presidente da República tudo tem feito para que se mantenha, na área do Governo, como na área da oposição, no plano dos partidos, como no plano das suas lideranças".

"Em ambos os casos, é bom para o país. Isso acabou por entrar na vida dos portugueses, perfilando-se dois caminhos sobre a governação do país, o que é positivo", defendeu.

Antes, Marcelo referiu que no início deste ano havia "perspetivas tendencialmente negativas" quanto à estabilidade em Portugal e que "uma das dificuldades do novo Presidente era tentar explicar a observadores e a agentes influentes económicos e financeiros que essa perspetiva negativa não era inexorável".

"Ora bom, conseguimos garantir a estabilidade política que se considerava questionável. Estabilidade na existência de Governo, estabilidade nas relações entre Governo e Assembleia da República, com uma fórmula governativa particularmente complexa e nunca ensaiada em Portugal, na cooperação institucional entre o Governo e o Presidente da República", acrescentou.

No seu entender, conseguiu-se ainda "garantir um relativo apaziguamento no quadro das forças políticas em presença" e estabilidade "no reajustamento da oposição - ela própria saída do Governo para uma situação diversa".

De acordo com o Presidente da República, ao mesmo tempo, nestes meses, assistiu-se a uma distensão no plano social. "Quer o processo de estabilização política, quer o processo de estabilização social foram processos complexos e difíceis de pilotar, mas superaram as expectativas. E estamos quase no fim do ano de 2016 podendo dizer que esses problemas que eram aparentemente inultrapassáveis em fevereiro março deste ano foram razoavelmente ultrapassados", sustentou.


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