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Marques Mendes: “António Domingues já decidiu e vai entregar declaração de rendimentos”

No habitual espaço de comentário dominical na SIC, Marques Mendes revelou que os administradores da Caixa Geral de Depósitos vão entregar ao Tribunal Constitucional as suas declarações de rendimentos e património, pedindo que estas não sejam tornadas públicas

António Domingues e os administradores da Caixa Geral de Depósitos vão “cumprir a lei e entregar das declarações de rendimentos”. A garantia foi deixada por Luís Marques Mendes, este domingo, no habitual espaço de comentário na SIC. Segundo avançou o comentador, a decisão dos gestores já foi comunicada, “eventualmente por escrito”, ao Ministério das Finanças.

“Ao que apurei, António Domingues já tomou uma decisão: os gestores vão cumprir a lei e vão apresentar as declarações [ao Tribunal Constitucional] e, nesse momento, vão pedir confidencialidade para que os documentos não sejam revelados à opinião publica”, disse Marques Mendes.

Esta é uma informação que o Expresso já tinha avançado na edição deste sábado. Ao que o Expresso apurou, o Ministério liderado por Mário Centeno foi informado de que a nova administração do banco público ainda vai contestar juridicamente junto do Tribunal Constitucional (TC) que esteja obrigada a apresentar as respetivas declarações de rendimentos e património.

Marques Mendes acrescentou também que caso o pedido de confidencialidade não seja aceite e as declarações sejam tornadas públicas, nem António Domingues nem grande parte da sua equipa apresentarão a demissão. “No máximo, podem sair três ou quatro gestores, sendo dois deles estrangeiros”, disse.

Considerando que a decisão já está tomada, Marques Mendes defendeu a necessidade de que a entrega seja feita rapidamente para que a “Caixa tenha paz de que precisa” e esta só acontecerá “quando cumprirem a lei”. “Têm até ao dia 9 de dezembro, mas com o desgaste que isto trás para a CGD e para o Governo, uma vez que já tomaram esta decisão”, a entrega deve ser “o mais cedo possível”.

“Para além da responsabilidade do Governo, há também a responsabilidade dos gestores. Este adiamento em cumprir a lei é também responsabilidade dos gestores. O Presidente da República e os partidos pediram rapidez, [e os gestores] fizeram ouvidos de mercador”, afirmou.

Para Marques Mendes toda esta polémica parece “uma novela sem fim”, considerando “ilegítimo” o facto de ter existido um acordo entre Governo e administradores. “Para mim, não é importante saber se foi um acordo escrito ou verbal. Vale o mesmo. Que António Domingues o tenha pedido, é legítimo. Que o Governo o tenha aceite, é ilegítimo. Mais grave, é que o Governo escondeu isto da opinião pública”, defendeu o comentador.

Fosun acionista do BCP

Para Luís Marques Mendes, a entrada da Fosun é algo “muito positivo para o BCP e para a banca em geral”. Este domingo, foi comunicado pelo banco à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que o novo acionista estratégico fica, para já, com 16,7%, um investimento que ascende a 175 milhões de euros.

“Sem dúvida, acho que é uma notícia muito positiva. Excelente para o BCP e para a banca em geral. A Fosun é um acionista de referência. No futuro, vão aumentar a sua participação, o que significa uma confiança no banco”, defendeu Marques Mendes. “Foi também muito positivo a circunstância desta negociação ter decorrido de forma muito consensual”, acrescentou.

O comentador salientou ainda que no próximo ano haverá uma “boa notícia”, uma vez que o BCP “tenciona pagar até fevereiro o empréstimo devido ao Estado”. “O BCP pode acabar o ano de 2016 muito bem e começar 2017 ainda melhor”, concluiu.