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Jornal de Jardim com capital da Venezuela

Gregorio Cunha

Empresários com ligações à comunidade portuguesa na Venezuela são o principal candidato à compra do “Jornal da Madeira”

Marta Caires

Jornalista

O prazo de entrega das propostas para a compra do “Jornal da Madeira” termina a 23 de novembro e o executivo de Miguel Albuquerque acredita que o matutino deixará de ser uma empresa pública ainda este ano.

Um grupo de empresários — entre os quais estão dois emigrantes na Venezuela — é o principal candidato à compra do jornal onde durante décadas Alberto João Jardim escreveu muitos dos ataques aos adversários políticos e do qual já foi diretor.

As negociações com o grupo de empresários terão começado há um ano e, apesar da confiança do governo regional, ainda não existem propostas concretas, nem se sabe em que termos se fará a venda. A empresa tem uma dívida à banca a rondar os €10 milhões e, durante os anos de Jardim, viveu dos subsídios que, no auge, atingiram os €4 milhões ao ano. Um bom negócio, segundo fonte ligada ao processo, seria vender a empresa pelo capital social, ou seja, por €50 mil.

Jardim deixou de assinar a coluna que tinha quando saiu da presidência do governo regional, em abril de 2015, e Miguel Albuquerque prometeu desfazer-se do jornal até ao fim deste ano. Antes disso, o governo mudou o título para “JM”, reduziu o número de trabalhadores e o valor do subsídio que, em 2016, foi de um milhão e duzentos mil euros. Além disso, alterou a política de apoios à comunicação social escrita privada e criou um fundo ao qual passam a poder candidatar-se todos os jornais e sites de informação regionais. Para 2017 estarão disponíveis €600 mil.

“Um mal disfarçado pensamento único”

Contrário a estas mudanças está Jardim, ex-diretor e ex-colunista do “Jornal da Madeira” que, num texto publicado no blogue “Fénix do Atlântico”, se insurge contra o ambiente de um “mal disfarçado pensamento único”. Jardim, que usou os artigos de opinião para atacar adversários e jornalistas, assume que o jornal serviu para defender a Madeira das “ameaças totalitárias e contra os poderes que pretendem o regresso ao passado”.

No mesmo texto, publicado em meados de outubro e onde se refere a “nulidades que vivem da propaganda”, o antigo líder lamenta que as alterações ao jornal tenham sido feitas a pedido e insiste que, nos seus governos, o pluralismo estava garantido.

“No tempo dos meus governos havia debate político e prática do contraditório, a sério. E de que maneira. Hoje, ou é censura seletiva ou é indigência de um mal disfarçado pensamento único.” Jardim tem uma relação emotiva com o jornal onde começou a carreira política em 1974 a convite do bispo do Funchal — o jornal era propriedade da diocese.