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Marcelo tranquiliza portugueses residentes no Reino Unido

ANDY RAIN / EPA

“Não há razão para alarme”, disse o Presidente da República aos portugueses residentes no Reino Unido, que estão preocupados com a possibilidade de não lhes ser permitida a permanência após o Brexit

O referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia deu um "interesse adicional" à visita do chefe de Estado português a Londres, a qual foi desmarcada duas vezes, revelou o Presidente da República.

A visita de Marcelo Rebelo de Sousa ao Reino Unido, que se realizou quarta-feira e quinta-feira, estava no plano das primeiras visitas de cumprimentos após a sua eleição em janeiro deste ano, juntamente com Espanha e a Santa Sé, em homenagem ao mais antigo aliado de Portugal.

Porém, a primeira data indicada seria no dia seguinte à posse, o que foi descartado, e a outra para logo após o referendo do dia 23 de junho, cancelada devido ao resultado inesperado, quando 52% dos eleitores votaram a favor da saída britânica da UE.

"Esta é a terceira marcação, mas correspondente à mesma ideia: é uma visita em homenagem às relações históricas entre os dois países, que hoje tem outro interesse porque entretanto muita coisa mudou", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa hoje aos jornalistas.

"O interesse adicional é a posição do Reino Unido na próxima negociação com a União Europeia onde Portugal está. Nós certamente saberemos conciliar as duas realidades: estar na Europa convictamente e querer uma UE forte e ao mesmo tempo querer manter uma aliança que durou tanto tempo, mas que está viva", vincou.

Num balanço da visita, o chefe de Estado referiu que quis deixar uma mensagem de tranquilidade aos portugueses que estão há menos tempo no país e que estão preocupados com a possibilidade de não ser permitida a sua permanência no país após o Brexit.

"Não há razão para alarme", enfatizou, acrescentando que as relações entre os dois países vão continuar fortes.

"O importante é que isso sobreviva e ao mesmo tempo a Europa se reforce. Esta é que é a conjugação virtuosa que vai constituir o grande desafio diplomático dos próximos anos", acrescentou, em declarações aos jornalistas após uma visita ao ateliê de trabalho da pintora Paula Rego.

O último compromisso do programa foi um encontro pessoal no Palácio de Buckingham com a rainha Isabel II, fechado aos jornalistas e à maioria da comitiva que acompanhou o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa antecipou o interesse em conversar com uma rainha da qual esteve perto, primeiro enquanto criança na primeira fila no desfile de carruagens junto ao Terreiro do Paço, em 1957, e depois como vice-líder do PSD, em 1985, quando integrou um grupo restrito de 30 portugueses convidados a jantar a bordo do iate real Britannia.

"O mais interessante vai ser como uma senhora que vê já de uma perspetiva distanciada e que viveu o mundo como era nos anos 1950, quando chegou ao trono, e depois 1960, 1970, 1980, 1990, 2000 e agora, como é que ela vê este mundo, o que ficou e o que mudou. Tem uma perspetiva que pouca gente tem", indicou.

Após o encontro com a monarca, o Presidente dirigiu-se imediatamente para o aeroporto de onde voará para Lisboa, onde ainda hoje terá compromissos oficiais.