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Política

Parlamento unido na crítica a Trump e na defesa do Acordo de Paris

Deputados portugueses esperam que o recém-eleito Presidente norte-americano tenha “bom senso” relativamente às políticas ambientais

PSD, PS, BE, PCP, “Os Verdes” e PAN (Pessoas Animais e Natureza) manifestaram-se esta terça-feira em defesa do Acordo de Paris para o combate às alterações climáticas, esperando “bom senso” do Presidente eleito dos Estados Unidos nesta matéria.

Estas posições foram transmitidas à agência Lusa e Antena 1 pelos deputados Pedro Soares (Bloco de Esquerda), Berta Cabral (PSD), Maria da Luz Rosinha (PS), Ana Virgínia Pereira (PCP), José Luís Ferreira (PEV) e André Silva (PAN), que integram a delegação da Assembleia da República presente até sexta-feira em Marraquexe na conferência do clima (COP22).

O presidente da Comissão Parlamentar de Ambiente e deputado do Bloco de Esquerda, Pedro Soares, manifesta-se em primeiro lugar apreensivo por os países ainda não terem chegado a um acordo operacional sobre regras comuns para a aplicação do Acordo de Paris – que foi celebrado no ano passado e já ratificado por Portugal – e, depois, também preocupado com o discurso de negação do fenómeno do aquecimento global protagonizado pelo Presidente eleito dos Estados Unidos.

“O acordo de Paris foi histórico e, por isso, por parte dos restantes países tem de haver um discurso muito firme em relação aos Estados Unidos, que possuem um grande peso na emissão de gases com efeito de estufa”, aponta Pedro Soares.

A ex-secretária de Estado social-democrata Berta Cabral subscreve a posição do deputado bloquista e diz esperar "bom-senso" por parte de Donald Trump no sentido de que “prevaleça o interesse global”, avançando-se rapidamente na execução do Acordo de Paris. “Portugal, neste aspeto, esteve sempre na linha da frente. Esta é uma matéria que deve ter consenso nacional”, completou a deputada do PSD.

Maria da Luz Rosinha, do Secretariado Nacional do PS, manifesta a esperança de que as posições tomadas por Trump "não sejam idênticas às posições que serão tomadas enquanto novo Presidente dos Estados Unidos a partir de janeiro". “Aliás, a posição de Donald Trump não tem consenso dentro do próprio Partido Republicano dos Estados Unidos”, sustenta a deputada socialista.

Pela parte do PCP, partido que se absteve no processo de ratificação parlamentar do Acordo de Paris (as restantes forças políticas votaram a favor), a deputada Ana Virgínia Pereira adverte que Donald Trump representa “uma grande preocupação para o mundo”. “Esperemos que não sejam os Estados Unidos a travar uma luta a favor dos povos para que se diminuírem as emissões de gazes com efeito estufa”, diz, com o deputado de “Os Verdes” José Luís Ferreira a advertir, logo a seguir, que Washington, independentemente de quem estiver na Casa Branca, “não pode sair já do acordo de Paris, tendo de aguardar para esse efeito quatro anos”.

“Por mais irresponsável que seja Donald Trump, creio que terá atenção que sair da convenção quadro [ambiental] significa que ficar isolado no mundo, porque todos os países fazem parte dessa convenção e o Acordo de Paris já foi ratificado por mais de 100 países. Sendo os Estados Unidos o segundo país mais poluidor do mundo, não poderá andar a brincar com o esforço dos restantes Estados no combate às alterações climáticas”, aponta José Luís Ferreira.

Já o deputado do PAN André Silva mostra-se convicto de que “o futuro Presidente Trump terá uma posição diferente do candidato, cuja linha significa a subjugação de todas as políticas ambientais à economia”.

“Tem de se passar a mensagem de que não é possível sair-se da convenção sem que essa decisão seja aprovada pelo Congresso e pelo Senado dos Estados Unidos. Apesar da posição da posição de Trump, acreditamos que o Congresso e o Senado dos Estados Unidos não vão permitir que o país saia dessa convenção histórica”, sustenta o deputado do PAN.

No plano imediato, André Silva considera que a prioridade da conferência de Marraquexe, quer ao nível político quer ao nível técnico, “é conseguir-se um acordo sobre as regras de funcionamento do Acordo de Paris” no que respeita a monitorização e transmissão de resultados. “Congratulo-me por a COOP22 ter na sua agenda a questão da produção de comida, ou seja, a produção animal, que é o maior poluidor mundial. Esperamos que o segmento político acorde para esta realidade que tem estado escondida”, acrescenta.