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Crescimento do PIB deixa Azeredo feliz

OLIVIER HOSLET / EPA

Estava o ministro da Defesa reunido com os seus pares da União Europeia quando ficou a saber que a economia portuguesa cresceu 1,6% no terceiro trimestre deste ano. E Azeredo Lopes sorriu

O ministro da Defesa disse que as notícias desta terça-feira sobre o crescimento económico em Portugal o deixaram com "um enorme sorriso" em Bruxelas, mesmo que tal signifique que o país fica mais longe das metas de despesa estabelecidas pela NATO.

José Azeredo Lopes, que falava em conferência de imprensa após uma reunião de ministros da Defesa da União Europeia (UE), e de um encontro bilateral com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, explicou que as despesas em Defesa em 2016 foram de 1,39% por Produto Interno Bruto (PIB) - quando a NATO pede que atinjam pelo menos 2% -, e, apesar de haver um aumento bruto de 20 milhões de euros previstos para 2017, a percentagem só pode ser avaliada em função do crescimento económico português.

"Para saber se, segundo os critérios NATO, subiu ou não vamos ter que esperar pelos números do crescimento do PIB. As notícias que acabei de saber dentro da reunião puseram-me com um enorme sorriso, como podem imaginar. Se quer que lhe diga, no limite até preferia que a percentagem relativamente ao orçamento baixasse porque isso significaria que o PIB tinha aumentado muito", disse.

Azeredo Lopes referia-se aos números hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, segundos os quais a economia portuguesa cresceu 1,6% no terceiro trimestre deste ano em termos homólogos e 0,8% face ao trimestre anterior, acima das previsões dos analistas.

"Como eu não sou egoísta, até era capaz de aparecer na mesma com boa cara nas reuniões NATO. Quem me dera que, por motivo de um crescimento muito grande do PIB, a percentagem consagrada ao orçamento da Defesa não tivesse um crescimento que seguramente todos esperam", reforçou, com um sorriso, Azeredo Lopes.

O ministro sublinhou todavia que, "em valores absolutos, o orçamento da Defesa [para o próximo ano] aumentou 20,3 milhões de euros, que refletem aliás o maior investimento que está previsto na lei de programação militar, que não tem cativações, portanto é um investimento líquido".

"É já muito significativo que Portugal não tenha reduzido o orçamento, que o tenha aumentado (...) Este ano, como disse, e por uma questão de honestidade, só posso falar no aumento bruto, que está à vista de todos e não foi contestado por ninguém, e isso é uma mensagem que é positiva", reforçou.

Azeredo Lopes apontou que, no seu encontro com Stoltenberg, abordou aquele que será o contributo de Portugal para a Aliança Atlântica em 2017, que se escusou a revelar, referindo apenas que "a circunstância de Portugal ter decidido a descontinuação da presença no Kosovo" nos temos em que existia, "embora se mantenha ao nível de quartel-general, vai obrigar a acertos e definição daquilo com que NATO pode contar durante ano de 2017".

O ministro disse que já tem "uma ideia", mas que a mesma será naturalmente apresentada primeiro, "para parecer, ao Conselho Superior de Defesa, que terá lugar em dezembro".

O ministro salientou todavia que "a descontinuidade da operação na KFOR (força na Aliança no Kosovo) não significa nem explícita nem implicitamente uma qualquer descontinuidade ou desinteresse de Portugal pela organização NATO", com a qual o país continua absolutamente comprometido.