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Risco de divisão da Europa é “sério” e deve ser enfrentado

Nuno Botelho

Em Bruxelas, Santos Silva e Azeredo Lopes defenderam que não há “nenhuma alternativa à integração europeia para responder melhor” aos desafios da Europa, sendo vital não abandonar os valores fundamentais que estiveram na sua matriz fundadora

Os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa de Portugal, concordaram esta segunda-feira em Bruxelas que a Europa enfrenta riscos, e "sérios", mas manifestaram-se convictos de que também será capaz de os enfrentar e eliminar.

Numa conferência de imprensa após várias reuniões de trabalho, incluindo uma sessão conjunta entre os chefes de diplomacia e os ministros da Defesa da União Europeia, Augusto Santos Silva e Azeredo Lopes afirmaram que o risco de divisão da Europa apontado pelo antigo chefe de Estado Jorge Sampaio, e corroborado hoje pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, é real e deve ser enfrentado.

"Se a questão é saber se nós hoje corremos riscos e se o projeto de construção europeia corre riscos, a resposta é sim e riscos sérios", afirmou Santos Silva.

O ministro dos Negócios Estrangeiros apontou entre os "principais riscos" um risco de desintegração resultante da "tendência para renacionalizar políticas que já hoje são e devem ser políticas europeias" e "europeizar os falhanços"; a maior influência que se sente hoje nos sistemas políticos e opiniões públicas por parte forças ou ideias populistas; e "o de se cavar ainda mais a distância entre cidadania e quadro institucional europeu", por incapacidade deste de responder às necessidades que os cidadãos vivem.

"Dito isto, a Europa tem todas as possibilidades e tem todas as capacidades para reagir a estes riscos, contrariá-los e vencê-los, consolidando o projeto de integração europeia e consolidando e melhorando as politicas, os instrumentos de que dispõe", afirmou, acrescentando a sua convicção de que "não há nenhuma alternativa à integração europeia para responder melhor aos problemas que afligem as economias e sociedades europeias".

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, comentou por seu lado que "na parte política, a Europa tem por vezes hesitado entre uma 'realpolitik' algo despida de valores e um pragmatismo por vezes estranho, por excessivo".

"A UE não poderá com toda a certeza escapar à crise que é anunciada e descrita pelo dr.Jorge Sampaio (...), não poderá com certeza sobreviver bem à crise que hoje enfrenta, se aceitar negociar valores fundamentais, que era a sua matriz definidora", declarou.

Também hoje, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o antigo chefe de Estado Jorge Sampaio escreveu "um artigo lucidíssimo" sobre a situação internacional e tem razão quanto ao risco de divisão da Europa.
"O Presidente Sampaio tem razão quando diz que, depois de tantos anos a construir a Europa, haver o risco da sua fraqueza, da sua divisão, do seu esvaziamento por guerras entre países, por movimentos populistas, por situações de xenofobia, de demagogia, de fechamento, a Europa fechar-se, isso é muito grave", declarou o Presidente da República.