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Marques Mendes sobre Trump: “Não é o fim do mundo, mas é um retrocesso sério e grave”

O ex-líder do PSD disse ainda, no seu comentário habitual na SIC, que a candidata democrata foi demasiado artificial durante a sua campanha e que isso foi fatal. “Seria uma grande Presidente, mas foi uma péssima candidata”

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O ex-líder social democrata e comentador da SIC, Marques Mendes, considera que a vitória de Trump como presidente dos EUA não é positiva, nem para os EUA, nem para a Europa, nem para o mundo.

"Não é o fim do mundo, mas também não alinha naquelas teses de que Trump como candidato é uma coisa e como presidente será diferente, um bocadinho aquela ideia de que terminou o lobo e agora é o cordeiro. Acho isso uma ilusão, uma mentira. Portanto, não é o fim do mundo, mas é um retrocesso sério e grave", disse este domingo, no sue habitual comentário na SIC.

Para Marques Mendes é um retrocesso político, porque "é o regresso à incerteza e à ideia de um país mais nacionalista e fechado sobre si próprio". É um etrocesso económico, porque "é o regresso ao proteccionismo e ao fim do livre comércio mundial", ou seja, "não augura nada de bom para a economia".

E é ainda um retrocesso em política externa, porque "é a tentativa de corte com a política externa do pós-guerra, o que pode suscitar problemas sérios com os seus aliados, no plano da paz e da segurança mundiais". E também um retrocesso civilizacional. "Basta pensar, entre outros erros crassos, nos recuos que vamos ter em matéria de alterações climáticas".

E depois, a vitória de Trump "é um incentivo para os populistas europeus. Em vésperas de eleições em França, na Alemanha ou na Holanda, tudo isto é gasolina para a fogueira do populismo.

Marques Mendes considerou ainda no seu comentário que a vitória de Trump, ainda que inesperada, é o resultado da conjugação de três votos: "um voto pela mudança, um voto de protesto e um voto de censura".

Diz o ex-líder do PSD que se tratou de um voto de mudança porque é o "voto anti-Obama". "Terminou um ciclo. O ciclo Obama. E, quando termina um ciclo, as pessoas querem normalmente mudar. Não querem mais do mesmo", continuou.

De um voto de protesto "contra o sistema político americano, mas por razões políticas, culturais, de falta de referências e valores". E de um voto de censura, ou seja, "o voto contra Hillary Clinton".

"Esta mulher seria provavelmente uma grande Presidente. Mas foi uma péssima candidata. Uma candidata sem empatia, sem autenticidade e com demasiados erros. Pareceu tudo muito artificial e preparado e isso é fatal em política", concluiu.