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Política

Forte de Peniche já não será concessionado

Marcos Borga

O ministro da Cultura justifica que é preciso “respeitar a perpetuar a memória de luta pela democracia” e por isso o Forte de Peniche não será concessionado

Por agora, o Forte de Peniche já não será entregue à exploração privada. O anúncio foi feito esta quinta-feira na Assembleia da República por Luís Castro Mendes. Segundo o “Diário de notícias”, o ministro da Cultura anunciou que o monumento que serviu de prisão do Estado Novo já não faz parte do lote de 30 edifícios do programa Revive, que prevê a concessão de dezenas de monumentos históricos degradados por períodos de 30 a 50 anos.

“Entendeu o Governo retirar o Forte de Peniche do plano Revive para reapreciação, porque entendemos que o que se fizer ali tem de respeitar, perpetuar, valorizar a memória da luta pela democracia”, justificou o ministro. “Nunca poderia haver por parte de um governo do PS um projeto que destruísse o valor da memória, como aliás, o programa Revive não põe em causa o valor histórico, dos monumentos que poderão ser alvo de concessão a privados”, disse Luís Filipe Castro Mendes.

Depois de várias críticas, sobretudo por parte do PCP, BE e alguns históricos socialistas, o Governo recuou. A revelação surgiu no seguimento de uma questão do deputado do BE Jorge Campos, que também foi dos críticos à entrega do local para a exploração turística, na audição conjunta das comissões parlamentares de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, e de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, no âmbito da apreciação na especialidade do Orçamento do Estado para 2017.

O Forte de Peniche serviu de prisão do Estado Novo (entre 1934 e 1974), para onde eram encaminhados os opositores ao regime de Salazar, nomeadamente, militantes do PCP. Em 1960, deu-se a célebre fuga de Peniche protagonizada por Álvaro Cunhal, Jaime Serra e Joaquim Gomes. Hoje em dia, a antiga prisão política pode ser visitada estando preservadas algumas celas tal como existiriam até ao 25 de abril.

Alguns dos outros monumentos que serão concessionados são o Castelo de Portalegre, o Castelo de Vila Nova de Cerveira, o Convento de S. Paulo, em Elvas, o Forte de S. Roque, em Lagos, Forte do Guincho, em Cascais, Mosteiro de Arouca, Mosteiro de S. Salvador de Travanca, em Amarante, Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra, Paço Real de Caxias, em Oeiras, Pavilhões do Parque Termal, nas Caldas da Rainha, Quinta do Paço de Valverde, em Évora.