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Santos Silva sobre EUA: é importante “pedagogia” sobre “multiculturalismo”

MÁRIO CRUZ / Lusa

Governo português felicita Trump e garante que vai cooperar com nova administração. Mas o ministro dos Negócios Estrangeiros deixa um recado

É sempre bom haver alguma "pedagogia" sobre a "importância do multiculturalismo", frisou o ministro dos Negócios Estrangeiros português, ao comentar aos microfones da TSF a eleição de Donald Trump. Augusto Santos Silva saudou a eleição do novo Presidente norte-americano e disse esperar que os Estados Unidos mantenham a sua posição de “moderação, equilíbrio e influência na cena internacional”.

“O Governo português saúda a eleição de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos. Felicita-o por esse feito e cumprimenta a candidata [democrata] Hillary Clinton”, disse também à Lusa o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva.

Portugal, referiu, espera que os Estados Unidos “mantenham a sua posição de moderação, equilíbrio e influência na cena internacional, designadamente no quadro multilateral, com particular atenção às Nações Unidas e à Aliança Atlântica”.

A nível bilateral, os dois países “estão unidos por uma relação histórica, por muitos interesses comuns, pela presença de uma importante comunidade portuguesa nos Estados Unidos e um programa de cooperação muito diversificado, que vai da segurança e defesa, à economia, à energia e à ciência”, sublinhou o governante.

O executivo português trabalhará com a nova administração “com o mesmo empenhamento” com que trabalhou com administrações anteriores, garantiu.

O ministro dos Negócios Estrangeiros apontou uma prioridade no relacionamento bilateral: “reforçar o quadro de cooperação entre os dois países”.

Uma cooperação que, enunciou, tem várias dimensões, desde logo a de segurança e defesa, “em particular no que diz respeito ao pleno aproveitamento das capacidades nas Lajes”.

Outras áreas do relacionamento bilateral são as consultas políticas, nomeadamente quanto à relação entre o Atlântico Norte e o Atlântico Sul e “a cooperação científica e tecnológica, uma área muito promissora e muito desenvolvida nos anos mais recentes”, exemplificou Santos Silva.

Há, também, “muito trabalho a fazer do ponto de vista do estímulo das relações económicas, comerciais e de investimento” entre os dois países, acrescentou.

Sobre o que espera da política externa da futura administração norte-americana, Santos Silva afirmou que Portugal aguarda “com expectativa” a definição das prioridades, mas confia que estas “se situem em continuidade com as linhas fundamentais da maneira de ser e de agir dos Estados Unidos no mundo”.

O Governo português acredita que as prioridades do futuro Presidente dos Estados Unidos “deem continuidade ao empenhamento dos Estados Unidos no sistema das Nações Unidas, na agenda 2030 [da ONU] sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, na agenda das alterações climáticas, em cumprimento do acordo de Paris, no fortalecimento da Aliança Atlântica e no desenvolvimento das relações económicas entre os Estados Unidos e a União Europeia” – que estão a negociar um acordo de comércio, o chamado TTIP, na sigla inglesa.

“Precisamos de uns Estados Unidos ativos na cena multilateral e no quadro da regulação, da resolução pacífica dos conflitos, na regulação dos mercados de capitais, na regulação da globalização, no estreitamento das relações com a Europa”, sublinhou.

Questionado se a comunidade portuguesa nos Estados Unidos tem motivos para ter receios, face ao discurso anti-imigração de Donald Trump durante a campanha, Santos Silva disse acreditar que não.

“A comunidade portuguesa e lusodescendente está muito bem enraizada na sociedade norte-americana, que é multicultural”, defendeu.

Em comunicado, o Governo português lembrou que "Portugal e os Estados Unidos estão unidos por uma longa relação histórica, por muitos interesses comuns e pela presença de uma importante comunidade portuguesa e lusodescendente residente naquele país".

"A cooperação entre as duas nações é vasta e diversificada, abrangendo áreas como a defesa e segurança, o comércio e investimento, a ciência e a tecnologia. Confiamos que as prioridades da política externa da nova Administração se situem no grande quadro de valores que tem norteado a ação dos Estados Unidos no mundo, no compromisso com o sistema multilateral das Nações Unidos, com a Aliança Atlântica e com o desenvolvimento das relações com a União Europeia", acrescenta a nota.