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Mortágua distancia-se de candidatura a Lisboa. Avança Robles?

Luís Barra

Deputada do BE diz, em entrevista ao “JN”, que seria difícil acumular a Câmara de Lisboa com o trabalho no Parlamento e defende que o partido “deve apostar nos autarcas que formou”. Deputado municipal Ricardo Robles emerge como escolha natural neste contexto

A deputada e dirigente do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua distanciou-se esta terça-feira de uma eventual candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, defendendo que o partido "deve apostar nos autarcas que formou" para encabeçar as listas do Bloco nas eleições autárquicas que se realizam no próximo ano.

O aparente afastamento de Mortágua da corrida e o perfil traçado pela deputada bloquista como o indicado para as autárquicas de 2017 reforçam assim a ideia de que o deputado municipal e engenheiro civil Ricardo Robles emerge como mais provável candidato do partido na corrida à Câmara lisboeta, conforme o Expresso já tinha avançado em outubro.

Contactado pelo Expresso, Robles não quis comentar o assunto. Mas numa recente entrevista ao "DN", quando questionado sobre a sua eventual disponibilidade para uma candidatura à Câmara de Lisboa caso Catarina Martins ou Mariana Mortágua não avancem, deixou a porta entreaberta. "Sempre estive disponível para todos os combates que envolvam a cidade e vou continuar a estar, independentemente dos protagonismos que possam existir. Não recuso nenhum combate", respondeu.

Na entrevista de hoje ao "JN", Mortágua voltou a ser confrontada com a possibilidade de ser a cabeça de lista do Bloco em Lisboa e embora não tenha dado a decisão como definitiva - "a decisão sobre as autárquicas está em discussão, não está fechada", disse - deixou subentendido que dificilmente terá margem para abraçar essa candidatura.

"Tenho as minhas funções no Parlamento. Foi para isso que fui eleita e as exigência da direção parlamentar e das negociações constantes com o PS são muito grandes e devem ser levadas muito a sério. E quando se leva a sério o cargo para o qual fomos eleitos, só devemos assumir responsabilidades que temos capacidade para cumprir", argumentou, antes de abrir a porta a outras possibilidades.

"É tempo de o Bloco valorizar protagonistas, bons autarcas que fizeram um bom trabalho e que têm rsultados para mostrar", defendeu.

Elogiado internamente pelo trabalho que tem feito na Câmara, Ricardo Robles é apontado como um profundo conhecedor dos vários dossiês da cidade de Lisboa e visto, dentromdo Bloco, como um candidato natural se o partido decidir avançar com a estratégia de 'promover' os autarcas que já tem a trabalhar nas câmaras, em vez de avançar com nomes "nacionais".

Contactado pelo Expresso em outubro, quando o seu nome começou a ser apontado como "plano b" caso Mortágua não avançasse, Robles recusou falar sobre a sua possível candidatura e remeteu qualquer comentário ou decisão para a mesa nacional do Bloco — órgão que Robles não integra —, que deverá abordar o tema das autárquicas numa reunião agendada para finais de novembro.

Além de Robles — que foi eleito diretamente pela primeira vez como deputado municipal em 2013, mas que já tinha desempenhado o cargo, em regime de substituição, nos dois mandatos anteriores da Assembleia Municipal —, o Bloco tem atualmente também como deputados municipais Mariana Mortágua, José Casimiro e Isabel Pires.

Mariana Mortágua é um dos nomes mais fortes do Bloco de Esquerda nos vários cenários abordados para a câmara lisboeta e há indicadores que confirmam que poderia ter um resultado interessante em Lisboa, aproximando-se até de garantir dois vereadores ao Bloco na capital. O que permitiria ao partido traduzir em votos a contestação que tem feito à gestão camarária em Lisboa e reforçar a implantação eleitoral do partido com um resultado histórico na capital do país.

Mas como há dentro do partido quem levante dúvidas sobre a lógica de apostar em Mortágua para um cargo de vereadora — mesmo que acumulando com o cargo de deputada no Parlamento —, quando tem assumido um papel tão importante no Bloco durante a vigência da ‘geringonça'. Como a própria Mortágua agora defendeu na entrevista ao "JN".