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Maria Luís Albuquerque: “Para o país, é dramático crescer tão pouco”

Marcos Borga

A ex-ministra das Finanças defende que as cativações ou são “despesa que faz falta e que está a ser adiada ou despesa que faz falta e que vai acontecer pondo em causa as metas”. PEV acusa o PSD de agora sentir “incómodo” em perceber que “afinal havia alternativas às políticas que impuseram aos portugueses”

Maria Luís Albuquerque vê a previsão de crescimento da economia de 1,5% para 2017, incluída na proposta Orçamento do Estado para 2017, como "modesta" e, mesmo assim, "demasiado otimista". "Para o pais, é dramático crescer tão pouco", afirmou a deputada do PSD, esta sexta-feira, no debate na generalidade do OE 2017, no Parlamento.

A ex-ministra das Finanças do anterior Governo sublinhou ainda que todas as "devoluções, reposições e reversões custam dinheiro" e que é ao aumento de impostos que o Governo vai buscar esse dinheiro.

"O crescimento continuará medíocre. A despesa pública continuará a crecer com novos impostos para a suportar. Bem pode o Ministro das Finanças repetir as vezes que quiser que não há aumento de impostos, que já percebemos como a história acaba."

Em particular sobre as cativações, a deputada do PSD questiona o Governo: se as "cativações tornadas permanentes" se traduzem em reduções da despesa onde não fazia falta, então "porquê ocultá-las".

"Se é despesa que não é necessária, o Governo deveria ter orgulho em explicar. Como não o faz, ou é despesa que faz falta que está a ser adiada ou é despesa que faz falta e que vai acontecer pondo em causa as metas. Vamos ter de esperar pelo fim do ano."

BE, PS, PCP e PEV respondem

"Não nos responda com a ladaínha da bancarrota. É tempo de assumirmos posições sobre o passado, o presente e o futuro", argumentou Maria Mortágua, deputada do BE. "Tem de assumir que poderiam ter posto a EDP a pagar a tarifa social a 800 mil famílias, mas não puseram." E questiona: "Qual é o plano do PSD para o país? O que se pede é que assuma as escolhas do PSD para o Orçamento."

"Este é o Orçamento de maior sensibilidade social e coesão social", defendeu a deputada do PS, Ana Catarina Mendes, sublinhando a "estabilidade fiscal" proposta. "Quando os portuguees acordam, sabem que amanha não terão outro imposto."

"Não é possível não perguntar: a senhora deputada vem hoje falar de cativações quando foi o seu governo que teve a maior retenção de reembolsos?", questionou a deputada socialista.

O deputado do PEV, José Luís Ferreira, elogia o "esforço" deste OE em repor rendimentos. "O PSD não esconde agora o incómodo em perceber que afinal havia alternativas às políticas que impuseram aos portugueses." Em resposta, Maria Luís diz que aquilo com que o PSD "convive mal" é com "as consequências que estas opções têm para o futuro, quando se compromete o crescimento económico".

Também o deputado comunista, João Oliveira, pergunta à ex-ministra das Finanças se o PSD mudou o que defendeu durante os últimos quatro anos. "Sabemos que não defendem hoje o contrário. Se continuassem no Governo, continuariam a fazer exatamente o mesmo que fizeram." Lembrando que Maria Luís Albuquerque "insistiu na ideia de que só é possível crescer se se continuar a confiscar rendimentos", João Oliveira afirmou que "isto confirma que se mantêm agarrados ao que fizeram durante quatro anos no Governo".