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Zorrinho critica nomeação de Oettinger para a pasta do Orçamento da CE

Alberto Frias

Para o eurodeputado, que no Facebook se refere ao comissário alemão como “um elefante numa loja de porcelana”, a sua nomeação deve ser ponderada por Jean-Claude Juncker

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O eurodeputado Carlos Zorrinho considera “verdadeiramente imponderada” a ideia de o comissário europeu Gunther Oettinger ficar responsável pela pasta do Orçamento na Comissão Europeia (CE), lugar para que foi apontado por Jean-Claude Juncker, após a saída de Kristalina Georgieva.

A propósito das afirmações recentes de Oettinger - que se referiu a uma delegação chinesa que visitou a União Europeia em termos depreciativos e considerados racistas -, o eurodeputado português afirmou na sua página no Facebook que o comissário alemão “é um elefante numa loja de porcelana” e que, mesmo a sua permanência como comissário do Mercado Único Digital, deve ser “ponderada”.

“Gunther Oettinger tem vindo a mostrar que tem uma agenda própria, que não é a da Comissão Europeia”, disse Carlos Zorrinho ao Expresso. “Assim sendo, quem de direito tem de ponderar” a sua escolha como substituto de Kristalina Georgieva, acrescentou. Esta comissária concorreu contra António Guterres para o cargo de secretário-geral da ONU, tendo depois pedido demissão da CE para ocupar um posto no Banco Mundial.

Para o eurodeputado, “compete ao presidente da CE avaliar e tirar conclusões sobre se Oettinger é adequado para o lugar”, parecendo-lhe existir apenas uma resposta: “Obviamente não é”.

As declarações do comissário alemão em Hamburgo, feitas em privado perante um grupo de empresários, estão longe de ser a primeira polémica em que se envolve.
No discurso em causa, posto a circular no YouTube, Oettinger descreve a delegação chinesa que visitou a União Europeia como um grupo de “nove homens, um partido. Zero democracia e todos de fato de um botão azul ou preto, todos com cabelo penteado da esquerda para a direita e sapatos polidos”.

Não foi tudo. Criticando as políticas alemãs sobre a reforma e a licença de maternidade, deixou ainda outra ‘pérola’: “Talvez venha a ser introduzido o casamento homossexual obrigatório”.

Gunther Oettinger começou por negar ter insultado os chineses, mas apresentou posteriormente um pedido de desculpas. “Tive tempo para refletir sobre o meu discurso e consigo agora perceber que as palavras que usei criaram sentimentos negativos e podem ter magoado algumas pessoas. Esta não era a minha intenção e gostaria de pedir desculpa por qualquer comentário que não foi tão respeitável como o devia ter sido”, afirmou dias depois, numa espécie de dito por não dito, que também não é novidade no seu percurso.

Há precisamente um mês, o comissário alemão afirmou que a União Europeia estava preocupada com a possibilidade de um segundo resgate a Portugal, recuando mais tarde, perante as críticas, nomeadamente do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto santos Silva.