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PSD criticado por recriar “bizarra corrida” entre burro e Ferrari

O evento está marcado: na sexta-feira um burro e um Ferrari vão percorrer os cerca de três quilómetros que separam a Cidade Universitária e o Saldanha. O objetivo? Provar que “o caos das obras infernizam o trânsito no centro da capital”, dizem os sociais-democratas. A ANIMAL, uma organização de defesa dos animais, considera que é ilegal

Corria a campanha para as autárquicas de 1993 quando António Costa, cabeça de lista à Câmara Municipal de Loures, promoveu uma corrida entre um Ferrari e um burro na Calçada de Carriche à hora de ponta. O animal ganhou e Costa provou o seu ponto: havia graves problemas à circulação automóvel naquela via. Mais de duas décadas depois, o PSD vai repetir o acontecimento. O objetivo e os intervenientes são os mesmos, apenas muda o percurso. Os sociais-democratas têm sido alvos de críticas por parte dos defensores dos direitos dos animais, tal como a ANIMAL.

“Exigir a um burro que faça uma corrida com um automóvel, não só não é algo razoável e que só serve para ridicularizar o animal em questão, mas também pode chegar ao nível da ilegalidade”, defendeu Rita Silva, presidente da ANIMAL, em comunicado. “É impressionante como, num tempo em que cada vez mais se considera a proteção dos animais como um valor importante para a sociedade, um partido político – que supostamente deveria dar o exemplo -, tenha uma ideia peregrina destas. É simplesmente vergonhoso!”, acrescenta.

Em comunicado, a ANIMAL apela às pessoas “que inundem a caixa de e-mails e redes sociais do partido” para pedirem o cancelamento da corrida que consideram ser ilegal. “De acordo com o estabelecido na Lei n.º 92/95, de 12 de Setembro, no seu artigo 1.º, ponto 3, alínea a é proibido: “Exigir a um animal, em casos que não sejam de emergência, esforços ou atuações que, em virtude da sua condição, ele seja obviamente incapaz de realizar ou que estejam obviamente para além das suas possibilidades”.

Também o PAN acusou o PSD de promover um “circo de rua”, que “existe um claro desencontro entre a evolução ética e civilizacional e as práticas partidárias em Portugal, facto que obviamente se reflete na falta de visão política quanto à proteção dos direitos dos animais. Se o problema é a mobilidade, temos uma solução a propor à organização do dito evento: vão antes de bicicleta”.

Na quinta-feira, o PSD anunciou a recriação do momento que marcou as autárquicas de 1993. “Hoje, quando, mais do que nunca, os lisboetas veem ser diariamente posta à prova a sua mobilidade, senão mesmo a sua capacidade para saltarem obstáculos, o PSD Lisboa entende que é chegado o momento de regressar às origens e homenagear o ‘costismo’ e os seus seguidores com a 2.ª Corrida entre um burro e um Ferrari. Assim, o caos provocado pelas obras de fachada que infernizam o trânsito no centro da capital deixe avançar os dois contendores para uma competição que se quer justa”, referiu o partido, num comunicado divulgado na quarta-feira.

A partida está marcada para as 8h45 na Rua Professor António Flores, junto à Faculdade de Direito de Lisboa, na Cidade Universitária, rumo à Praça Duque de Saldanha, junto ao edifício do Monumental.