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Este Orçamento é “o acerto de contas com as esquerdas”, diz Cristas

MARCOS BORGA

A líder do CDS diz que este OE ficará marcado como o “orçamento que tem a versão um e menos de quinze dias depois, por insistência da oposição, tem a versão dois”. Centeno responde e diz que Assunção Cristas ainda não “despiu as vestes de ministra de Pedro Passos Coelho”

Assunção Cristas não vê no Orçamento do Estado em discussão esta quinta-feira “um verdadeiro orçamento de Estado”, segundo disse no Parlamento. “Isto é pouco mais do que a fatura da sobrevivência do Governo. No fundo, é o acerto de contas com as esquerdas que o apoia.”

A líder do CDS começou por criticar o facto de não ter sido o primeiro-ministro, António Costa, a fazer o arranque do debate do OE na generalidade, considerando que se está a esconder. “O país merecia um primeiro-ministro que desse a cara pelo seu orçamento.” E acrescenta: “É muito incómodo ter de responder aqui como é que tem cara para não subir as pensões mais baixas das mais baixas, pensões de 200 euros, e não tem qualquer problema com a falta de transparência vergonhosa no processo da CGD”, afirmou.

Uma das características deste orçamento é ter duas versões, criticou. “Este é o orçamento de um Governo que tentou enganar o Parlamento com versões incompletas.” Este OE ficará marcado ainda, na opinião de Cristas, como o “orçamento que tem a versão um e menos de quinze dias depois, por insistência da oposição, tem a versão dois”.

“Onde estão as medidas que vão impulsionar o investimento e as exportações? Não se encontram”, questiona, olhando para o OE como “uma grande barafunda fiscal”. “Onde está o fim da sobretaxa? Não está”, questiona, alargando ainda a pergunta à “prometida mexida nos escalões do IRS” e à “baixa do IVA para a eletricidade e o gás”.

“Este é um orçamento de profunda injustiça social”, critica a líder do CDS. “É justo que uma pensão de 7500 euros aumente 263 euros e uma pensão mínima de 263 euros aumente apenas um euro?”

Assunção Cristas deixa três perguntas a António Costa. “Está disponível para corrigir a enorme injustiça social e aumentar as pensões mínimas sociais e rurais, as pensões mais baixas das mais baixas?” A líder do CDS pergunta ainda se há disponibilidade para “reintroduzir o quociente familiar” e “para aprovar o crédito fiscal para o investimento e para retomar a trajetória de baixa do IRC dando estabilidade às empresas para investirem”.

Em resposta às críticas de Cristas sobre o Orçamento do Estado, o ministro das Finanças, Mário Centeno, acusou a líder do CDS de ainda não ter "despido as vestes de ministra de Pedro Passos Coelho". " As versões que está a consultar não são as de 2017, são as de 2013, 2014 e 2015. Não há nada oculto, foi tudo muito transparente, debatido aqui durante nove horas."

"Está entendido que o orçamento da Educação aumenta pela primeira vez desde 2011. A dívida desce em 2017. O défice desce em 2016 e 2017", disse ainda Mário Centeno, em resposta a Assunção Cristas.