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Política

Centeno convida PSD a ler nos lábios: “Não há aumento de impostos”

MARCOS BORGA

“Teria possibilidade de ouvir 101 vezes da minha boca que não há aumento de impostos”, respondeu o ministro das Finanças, Mário Centeno, ao PSD

A pergunta apareceu: há ou não aumento de impostos? “Pode dizer 100 vezes que não há aumentos de impostos. Mas há”, afirmou o deputado do PSD, Duarte Pacheco, esta quinta-feira no Parlamento, durante o debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2017.

Mário Centeno, ministro das Finanças, respondeu: "Teria possibilidade de ouvir 101 vezes da minha boca que não há aumento de impostos. E se lesse nos meus lábios, seria dois em um." O PSD contra-ataca: "Tenho um palpite de que ainda se vai arrepender pelo que disse", respondeu o deputado Miguel Morgado.

Para lá da questão sobre se há ou não aumento de impostos nesta proposta de Orçamento do Estado para 2017, Duarte Pacheco elencou algumas críticas, sublinhando, sobretudo, o dinheiro destinado para a Educação, as atualizações das pensões e o IMI. Sobre a Educação, o deputado sublinha que os dados do OE mostrados pelo Governo provam que “não há aumento, há diminuição”. E questionou ainda as escolhas deste Executivo na forma como propõem atualizações das pensões, assim como as características do adicional do IMI.

As críticas do PSD ao OE passam ainda por lembrar que "a austeridade não teve nenhuma página virada", disse Miguel Morgado. "E ainda não se falou do embuste da atualização dos escalões de IRS e o embuste das pensões aumentadas, um grande momento de eleitoralismo".

Também o deputado do CDS, Nuno Magalhães, apontou críticas ao Orçamento. "O senhor ministro causou-nos alguma perplexidade. Sobretaxa devolvida na sua totalidade em 2017? Daqui a um tempo pode desmenti-lo", declarou, questionando ainda como é que Mário Centeno "fala de estabilidade e previsibilidade fiscal" e acusando o ministro de "ligeireza a falar da dívida".

E dando seguimento às citações literárias, iniciadas na quarta-feira por Mário Centeno, depois de citar Luís de Camões, o deputado Miguel Morgado terminou a sua intervenção com outra citação. "E sou já do que fui tão diferente / Que, quando por meu nome alguém me chama, / Pasmo, quando conheço / Que ainda comigo mesmo me pareço."