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Política

PSD diz que Governo fez um OE “de sobrevivência política” para “calar sindicatos e agarrar parceiros”

Tiago Miranda

Sociais-democratas voltam a criticar as previsões de crescimento económico falhadas do Governo e o facto de a carga fiscal não diminuir. Mário Centeno critica que deputado do PSD tenha dedicado “apenas 22 segundos” a falar das tabelas que o PSD “tão veementemente pediu”

O deputado do PSD Duarte Pacheco acusa o Governo de ter produzido um Orçamento do Estado para 2017 (OE2017) que tem por grande objetivo a sua "sobrevivência política".

Depois de recordar as previsões e estimativas que o Governo fez ao longo do último ano e que não coincidiram com os resultados alcançados – nomeadamente no que respeita ao crescimento económico do país – Duarte Pacheco defendeu que, perante a "falta de transparência em todas as previsões governamentais", as estimativas do Orçamento "não têm sustentação e baseiam-se numa única palavra: fé".

"Acreditem em nós, que vamos fazer agora o que não conseguimos fazer nos últimos meses... Qual a lógica deste Orçamento se não promove o crescimento, se a UTAO diz que o défice estrutural não diminui e que a carga fiscal não diminui? A única lógica é a sobrevivência política. Dar a alguns para calar sindicatos e agarrar os parceiros de coligação, pondo os portugueses todos a pagar", acusou o deputado social-democrata na segunda audição a que o ministro das Finanças está a ser alvo na Comissão de Orçamento e Finanças, para discutir as linhas gerais do Orçamento do Estado para 2017.

Na resposta, o ministro Mário Centeno acusou a oposição de "lançar uma nuvem de fumo" em relação aos números do atual Orçamento, de não ter uma "discussão séria" com base nesses indicadores e de ter ignorado a suborçamentação nas áreas da educação e da saúde em 2015. E criticou o facto de Duarte Pacheco ter praticamente ignorado na sua intervenção inicial, os números adicionais que o Governo agora apresentou.

"Notei que dedicou 22 segundos a falar das tabelas que tão veementemente pediu. Hoje, estamos aqui para analisar um conjunto de informação complementar que pediram, e o Governo acedeu a dar. E nos 22 segundos que dedicou à análise dessas tabelas não conseguiu sequer entender o que significa a suborçamentação da Educação e da Saúde. Podia fazer a análise aos 800 milhões de euros que desapareceram do orçamento da educação em 2015", respondeu Centeno.