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Orçamento 2017 abre guerra no PSD Gaia

Aprovação do Orçamento 2017 da Câmara de Gaia abriu nova cisão na concelhia do PSD local, “traída” com o voto favorável do vereador Elísio Pinto à proposta dos socialistas. Apenas Firmino Pereira, ex-vice presidente de Luís Filipe Menezes, chumbou o proposta do executivo de Eduardo Vítor Rodrigues

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

José Cancela de Moura, líder da concelhia do PSD de Gaia, diz que vereador Elísio Pinto traiu o partido ao votar ao lado dos socialistas, acusando-o “de falta de lealdade” enquanto autarca. “Um vereador tem de assumir os seus compromissos com o partido que o elegeu, sendo por isso inqualificável o seu comportamento ao fazer fretes políticos aos adversários”, sustenta o líder do PSD Gaia.

Dos três militantes eleitos pelo PSD nas últimas autárquicas, só Firmino Pereira, ex nº 2 de Luís Filipe Menezes votou contra a proposta de orçamento para 2017 do executivo de Eduardo Vítor Rodrigues, depois de a vereadora Mercês Ferreira ter assumido o pelouro do Ambiente Urbano e votaro ao lado dos socialistas, desde 2013.

Cancela de Moura recusa-se a adiantar se, tal como no caso da vereadora, irá a Distrital do PSD retirar agora a confiança a Elísio Pinto e propor a instauração de um processo disciplinar ao militante do PSD. “Ao votar ao lado do PS, o vereador Elíso Pinto deverá escolher o seu próprio caminho”, diz o líder da concelhia, referindo que “carácter é uma coisa que não se compra, nem se vende. Ou se tem ou não se tem”.

De acordo com Cancela de Moura, Elísio Pinto alegou razões pessoais para não participar na reunião da concelhia de concertação e sentido de voto da vereação do PSD, segunda-feira, em relação ao orçamento do município. O líder da concelhia lamenta a deriva “sem sentido” do vereador, a quem acusa de ter colocado interesses de ordem pessoal acima da responsabilidade de autarca, “com a agravante de, ao alinhar com o PS, trair as responsabilidades de direção que ainda detém no partido de que ainda é militante e de minar a confiança dos governantes que o nomearam para funções públicas”.

Elísio Pinto afirmou, esta quarta-feira, ao Expresso que não se revê “na linguagem agressiva do presidente da concelhia, nem nos seus princípios de votar contra só por votar, sem atender ao que é melhor para os cidadãos do concelho». O vereador do PSD não teme que lhe venha a ser retirada a confiança política, adiantando que não deixará de mote próprio de ser militante do partido por «ter votado de acordo com a sua consciência”. Já pediu, contudo, a demissão da presidência da União de Freguesias de Mafamude, em Gaia. “Sou social-democrata, não sou um neo-liberal”, diz o vereador, advertindo que por muito que doa ao líder da concelhia do PSD Gaia “Eduardo Vitor Rodrigues é um presidente humanista e de proximidade”.

Defende que hoje, mais do que nunca, não é possível alimentar comportamentos que ajudam a descredibilizar os políticos e as política. “Ser militante desta ou daquela força política, não obriga a aceitar tudo”, afirma Elísio Pinto tendo em consideração um documento que é defensor de valores humanos e de uma coesão social, “que oferece melhor qualidade de vida às populações”.

Orçamento “amigo das famílias”

Na extensa e detalhada declaração de voto, Elísio Pinto sustenta que o Orçamento e Opções do Plano 2017 do executivo de Eduardo Vítor Rodrigues “beneficia, os cidadãos, as empresas e a coesão social”. No documento enviado ao Expresso, refere como razões que o levaram a votar ao lado dos socialistas a forte aposta na ação social, cujo investimento sobe para € 1,2 milhões, que representa um aumento de 122% em relação a 2016, enquanto na saúde o aumento estimado é de 444% (€ 270 mil).

O vereador desavindo com a liderança da concelhia local destaque ainda os aumentos no ensino, cultura, desporto e nos transportes rodoviários, além da diminuição das despesas correntes de 4,05%. “É um orçamento que prevê cada vez mais investimento e menos despesa corrente”, frisa, acrescentando que não descura ainda os compromissos plurianuais (€ 21,5 milhões) para fazer face às responsabilidades financeiras.

Na declaração sua declaração de vota, titula o orçamento 2017 de “amigo das famílias”, ao reduzir a taxa de IMI, fatura da água e ainda contempla benefícios fiscais para empresas que promovam emprego. “Assim sendo, este orçamento assenta num modelo de gestão inteligente, de coragem e investimento, com sustentabilidade financeira”, conclui.

O PSD contraria, porém, a posição de Elísio Pinto, classificando o orçamento e opções do plano para 2017 de irrealista, alertando para a confusão que o mesmo apresenta entre “desejos e realidade”. Cancela de Moura critica a “notória incapacidade” do atual executivo socialista em atrair investimento empresarial para um concelho com a dimensão de Vila Nova de Gaia, considerando o documento aprovado, segunda-feira, de “eleitoralista, populista e de caça ao voto”.

Tendo em conta que o executivo autárquico apresentou em 2015 as melhores contas da década, a concelhia refere não compreender como só em 2017 “irá avançar com 64 projetos”, questionando o executivo socilista como vai financiar tantos investimentos em infraestruturas e equipamentos sem endividar a autarquia. Outra das críticas prende-se ainda o aumento das despesas com pessoal de € 1,2 para €1,6 milhões.

Na base da discórdia está também a taxa de IMI para 2017, que volta a descer pela terceira vez no mandato de Eduardo Vítor Rodrigues, mas que Cancela de Moura diz pecar por defeito, ao diminuir apenas 1% quando a proposta do PSD era 10%. O líder da concelhia refere que os 0,445% da taxa de IMI em Gaia é uma situação injusta para os contribuintes, dando, entre outros, o exemplo do Porto, que vai baixar o IMI para 0,324%. A explicação avançada pelo presidente da Câmara de Gaia para não baixar mais o IMI é o facto de ter herdado um município com as taxa sobre imóveis das mais altas do país e à beira da falência, ao contrário do que aconteceu do vizinho concelho do Porto.