Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Licenciaturas falsas: ministro reafirma que não sabia e garante que não impediu saída do chefe de gabinete

Em entrevista à SIC Notícias, o ministro da Educação voltou a dizer que desconhecia que o chefe de gabinete do secretário de Estado do Desporto tinha duas licenciaturas falsas e desmentiu ter impedido a sua exoneração

O ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues voltou a reafirmar esta terça-feira que não sabia do despacho que dizia que o chefe de gabinete do ex-secretário de Estado do Desporto tinha duas licenciaturas, quando na verdade não tinha nenhuma. E garantiu ainda que nunca impediu que ele fosse exonerado, tal como afirmou o ex-secretário de Estado do Desporto João Meneses.

"O chefe de gabinete do antigo secretário de Estado do Desporto tinha um despacho de nomeação onde constavam duas licenciaturas, que efectivamente não tinha. Esse é o facto político. Eu disse rotunda e imediatamente que não sabia desse facto. Mantenho e reafirmo", afirmou Tiago Brandão Rodrigues, esta noite, em entrevista à SIC Notícias.

Contudo, quando questionado sobre se sabia que as licenciaturas que constavam nesse despacho eram falsas e que, portanto, havia um erro no documento, Brandão Rodrigues não foi claro. "Não sabia que havia nenhum tipo de erro".

Aliás, de acordo com o ministro, quem disse, em entrevista ao "Observador", que ele sabia desse facto, ou seja, o ex-secretário de Estado do Desporto que tinha saído do Governo em abril por incompatibilidades, veio entretanto a público dizer que, afinal, era tudo um mal entendido.

"Esse mesmo governante que saiu incompatibilizado, veio agora dizer à TSF que foi um mal entendido e disse nas suas próprias redes sociais que isso não era uma questão", acrescentou Brandão Rodrigues.

Contudo, o ex-secretário de Estado do Desporto não terá desmentido tudo o que disse ao Observador, nomeadamente que tinha pedido ao ministro para exonerar o chefe de gabinete e que, ele, mesmo sabedo que as licenciaturas eram falsas, tinha impedido o seu afastamento do cargo.

Mas Brandão Rodrigues garantiu que não impediu nada e esta noite voltou a desmentir João Meneses.

"Em nenhum momento eu pedi a João Meneses que não exonerasse o seu chefe de gabinete. Todos os governantes têm a possibilidade real de trabalhar e fazerem tudo aquilo que querem fazer nas suas equipas. Ele teve a oportunidade de dizer que constituiu a sua equipa como quis e depois teve conhecimento de factos que eu não tive e teve a oportunidade de fazer com eles aquilo que quis fazer com eles”, esclareceu o ministro à SIC.

Mais verbas para a educação

Sobre o Orçamento do Estado (OE) para 2017 para a Educação, e a recente polémica sobre o corte de verbas em cerca de 170 milhões de euros para este ministério quando comparada a execução orçamental de 2016 com a dotação prevista para 2017, Brandão Rodrigues afirmou que se está a comparar “dois valores incomparáveis”.

Já na discussão do OE2016 a mesma questão se tinha levantado, e já então a tutela tinha defendido que só se podem comparar orçamentos iniciais com orçamentos iniciais, e execução orçamental com execução orçamental.

Sublinhando que “devemos comparar o que é comparável”, afirmou que em termos de orçamento inicial, as verbas para a educação crescem 3,1% em 2017 face a 2016.

Disse ainda que “tradicionalmente, a educação tem tido um reforço de verbas ao longo do ano”, recusando qualquer necessidade de revisão dos valores orçamentados em sede de discussão na especialidade do OE2017.