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António Costa mantém confiança política no ministro da Educação

António Costa manifestou o seu apoio a Tiago Brandão Rodrigues, em declarações feitas à margemda XXV Cimeira Iberoamericana, em Cartagena das Índias, Colômbia (30 de outubro de 2016)

ANDRÉ KOSTERS/LUSA

Polémica das licenciaturas alegadamente falseadas por Nuno Félix, ex-chefe de gabinete do secretário de Estado da Juventude e Desporto, levou o CDS-PP a pedir a demissão de Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação

Helena Bento

Jornalista

António Costa diz que mantém a confiança política no ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, acusado pela direita de ter ocultado as falsas licenciaturas de Nuno Félix, ex-chefe de gabinete do secretário de Estado da Juventude e Desporto.

Nuno Félix apresentou, na sexta-feira, a sua demissão do cargo, depois de ter sido tornado público que não concluiu as duas licenciaturas que declarou ter Ciências da Comunicação, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e em Direito, pela Universidade Autónoma , e que constavam do seu despacho de nomeação publicado em Diário da República.

Num comunicado dirigido ao jornal Observador, que denunciou a situação, Nuno Félix explica por que se demitiu: “Fi-lo por entender que, para o desempenho das funções de Chefe do Gabinete, que muito me honraram e que cumpri em exclusividade e com total zelo e dedicação, são necessárias não apenas competências técnicas e pessoais mas também uma reputação ética e política intocáveis que permita impor aos outros os critérios de exigência e de seriedade que exijo a mim mesmo”.

No mesmo comunicado, Nuno Félix explica que num despacho mais recente a informação relativa aos seus cargos “foi devida e atempadamente retificada”, dando conta de que não é licenciado, mas que apenas frequentou os dois cursos em causa. O ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues desmentiu ter conhecimento de toda a situação, mas o CDS-PP insiste na sua demissão, e insiste, ainda de acordo com o Observador, porque “as incorreções no despacho seriam há meses comentadas nos gabinetes do ministério e terão sido uma das razões para a demissão de Wengorovius Meneses, o anterior secretário de Estado da Juventude”.

“A confirmarem-se os factos que foram noticiados, o ministro da Educação não tem quaisquer condições para continuar no exercício do cargo. Nenhum membro do Governo pode ocultar uma situação de falsas declarações sobre um grau académico e, por maioria de razão, não o pode fazer o ministro da Educação”, disse recentemente João Almeida, deputado do CDS-PP.

Também o PSD manifestou “a sua maior preocupação” perante uma situação em que diz haver “um padrão de mentira e de encobrimento”. Tiago Brandão Rodrigues, acusa o deputado Carlos Abreu Amorim, “preferiu a manutenção de um chefe de gabinete que estava a mentir à manutenção de um secretário de estado que queria repor a verdade”, estando, por isso, em falta para com os portugues, que merecem “explicações minuciosas, cabais e contundentes”.

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, acusou este domingo a direita de “não ter qualquer legitimidade para criticar situações como esta”, lembrando casos antigos que envolveram ministros do último Governo PSD/CDS-PP. A posição do Bloco de Esquerda é semelhante à dos comunistas. No sábado, no encerramento das jornadas parlamentares do BE, o dirigente bloquista Jorge Costa disse que “a direita não tem propriamente grandes créditos para vir fazer esse tipo de exigências”, uma vez que “não há ninguém que não se recorde do tempo em que ficou no seu lugar o ministro Miguel Relvas”.