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Política

BE quer negociar com Governo suspensão da garantia de potência para reduzir o preço da energia

Luís Barra

Coordenadora do Bloco de Esquerda apela a um investimento nas ferrovias durante o arranque das jornadas parlamentares do partido

No arranque das jornadas parlamentes do Bloco de Esquerda (BE), que decorrem até amanhã em Vila Real e Bragança, Catarina Martins anunciou a intenção do seu partido de apresentar ao Governo uma proposta que, caso seja aprovada, resultará numa poupança de €40 milhões no OE de 2017 com a suspensão da garantia de potência na energia.

"Enquanto a garantia de potência não é paga de forma mais justa, o Orçamento do Estado continua a pagá-la tal como existe hoje”, observa a líder bloquista. Como o BE não encontra sentido para esta situação, vai propor durante a discussão na especialidade “a suspensão da garantia de potência até que um novo mecanismo mais justo seja possível", adianta a coordenadora do partido, Catarina Martins.

Catarina Martins explica que o acordo servirá para combater o “preço excessivo da eletricidade, num país em que as famílias já pagam um preço excessivamente alto, comparativamente com outros países da Europa”.

Após uma viagem de comboio entre a Régua e a estação ferroviária de Foz Tua, com passagem pelo Pinhão, Catarina reiterou a importância de olhar para o interior do país. “Não podemos aceitar um projeto de desenvolvimento para o país que deixa uma parte do país para trás”, considerou a dirigente, que se fez acompanhar por todo o grupo parlamentar do partido, com exceção para o deputado Jorge Falcato que não pôde embarcar.

A viagem ferroviária constituiu uma forma de chamar a atenção para as necessidades de investimento em zonas cujos serviços têm vindo a ser degradados e desadequados face às necessidades da população.

No final do percurso Catarina Martins sustentou que a ferrovia tem de ser um “investimento estruturante para o país” e frisou que o Governo terá de apresentar até ao final do ano um novo plano nacional ferroviário que melhor “sirva a mobilidade das pessoas e não as mercadorias”.

Para o BE não deixa de ser “chocante que quem ande numa cadeira de rodas não possa sequer apanhar um comboio da Linha do Douro, como aconteceu hoje com o deputado Jorge Falcato que não nos pode acompanhar, porque os comboios não estão preparados”, afirmou a coordenadora do BE. Mas as observações de Catarina Martins não se ficam pela falta de acessibilidades. Desde logo porque aquele percurso na Linha do Douro decorreu numa parte não eletrificada, além de que não poderiam “continuar o transporte pela Linha da Tua, porque foi desclassificada e já não faz parte das ferrovias portuguesas”, acrescentou.

Menos 25% de linhas férreas em Portugal desde o início do milénio

A dirigente do BE sublinha que, desde 2000, Portugal perdeu 25% da sua rede ferroviária e aponta, em parte, o dedo ao anterior executivo liderado por Pedro Passos Coelho. “O Governo de PSD e CDS olhou para o transporte ferroviário e pensou que ele devia servir apenas as mercadorias. Nunca pensou nas pessoas”, acusa Catarina Martins. “Desinvestir na ferrovia significou cortar linhas, cortar horários, ter carruagens piores, mas significa também que a mobilidade em Portugal está organizada à volta da rodovia”, rematou.

Na opinião da dirigente do BE, a aposta centrada no incremento das rodovias aporta “custos ambientais” e não só. “O transporte rodoviário fica muito caro ao país, às pessoas e às empresas”, assegura, apelando a uma “descarbonização da economia”.

De forma a reverter este processo, a coordenadora do Bloco lembra que o executivo liderado pelo primeiro-ministro António Costa se comprometeu a apresentar até ao final do ano uma solução que inverta esta estratégia que “desprotege as populações”. O Governo, diz, “tem de apresentar até ao final do ano um novo plano ferroviário e deve fazer uma renegociação dos fundos europeus em 2017, tendo em conta a necessidade de servir as pessoas”.

“Pensar nas pessoas” para mudar o ciclo político

Para Catarina Martins, “mudar de ciclo político em Portugal exige, seguramente, deixar de tomar opções sobre investimentos e políticas olhando os interesses das grandes empresas privadas e deixando de lado os interesses da população”.

Durante o seu discurso, na estação ferroviária de Foz Tua, Catarina Martins referiu os “absurdos” que foram cometidos na região “em nome dos negócios de alguns” e garante que o BE não esquece que o “problema” da Linha do Tua começa com a construção da barragem de Foz Côa, “um negócio que será excelente para a EDP, mas que é péssimo para o país e para as populações”.

A responsável pelo BE apela à necessidade de “reclassificar a Linha do Tua, para que não sirva apenas a exploração privada para o turismo” e dá como exemplo a concessão que a EDP atribuiu à empresa turística Douro Azul para o transporte em toda a referida linha. “O Estado deve exigir que a EDP se comprometa a reativar esse serviço”, afirma Catarina Martins.

A dirigente bloquista deixou igualmente críticas ao impacto ambiental da barragem de Foz Côa que, acredita, prejudica as populações locais.

Durante esta sexta-feira a comitiva do Bloco de Esquerda irá visitar outros locais da região, como a Escola Secundária de Mirandela, a Associação Leque (de pais e amigos de pessoas com necessidades especiais), o Hospital de Bragança, a UTAD e ainda o parque de ciência e tecnologia “Regia Park”.