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Passos avisa os críticos de que não sairá da liderança sem luta

ANTÓNIO COTRIM / LUSA

“Eu não sou daqueles que faz birras e que se vai embora porque não está para se maçar”, avisou o líder do PSD no Conselho Nacional

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Pedro Passos Coelho não abre mão da sua estratégia para o PSD e desafia quem tenha ideias diferentes sobre como fazer oposição ao Governo a assumir-se. Na intervenção com que fechou o Conselho Nacional realizado na quarta-feira à noite, o líder social-democrata foi arrasador na forma como se referiu ao Executivo de António Costa - acusando-o de "manipulação e eleitoralismo grosseiro" - e atirou-se à jugular de quem, dentro do PSD, acha que o discurso do partido devia ser mais simpático ou mais eleitoralista.

"Eu teria vergonha de apresentar as propostas que este Governo tem apresentado de manipulação e eleitoralismo grosseiro. E acho que tenho razão", disse Passos, de acordo com uma fonte partidária que assistiu ao discurso, proferido à porta fechada. E continuou: "Não voltarei ao governo para fazer o que estes cavalheiros fazem!" Desta garantia, partiu para o desafio a quem tenha ideias diferentes: "Quem pensar no PSD que se chega lá da mesma maneira faça o favor. Mas não conta comigo para isso e terá que se haver comigo para ver se o PSD fará dessa maneira, porque comigo não faz mesmo." Tudo dito com um sorriso e sem Passos se dar sequer ao trabalho de se levantar para falar.

As palavras do líder social-democrata surgiram depois de alguns reparos de conselheiros nacionais ao facto do PSD fazer contraponto às iniciativas populares da "geringonça" com propostas estruturais. Um exemplo dado foi sobre o Orçamento do Estado e a diferença entre a esquerda, que faz um aumento extraordinário das pensões, e o PSD, que vai a jogo com iniciativas sobre as reformas estruturais que o Governo não faz.

Curiosamente, conselheiros presentes na reunião frisam que foram muito poucos os que deram voz a estes reparos ("nem sei se chegaram a ser críticas", diz um social-democrata) e nenhum veio de qualquer figura de relevo. "A reação de Passos Coelho pareceu uma tempestade num copo de água", diz uma testemunha.

Porém, o intuito de Passos podia ser outro: frisar que a sua liderança está para durar e que não entregará o poder sem luta. "Eu não sou daqueles que faz birras e que se vai embora porque não está para se maçar", frisou Passos.

"A oposição faz oposição"

Uma frase que surge numa altura em que o partido fervilha com informação e contrainformação sobre movimentações internas de gente descontente com o desempenho de Passos Coelho. Mas este, garantiu o próprio, não vai mudar: apontar os erros da "geringonça", por contraste com aquilo que o PSD faria se estivesse a governar, depois da coligação ter ganho as eleições.

"Não tenham medo de dizer o que está a ser mal feito. A oposição faz oposição", teorizou o ex-primeiro-ministro. "Mas fazer oposição não é desejar o mal. É explicar como podíamos estar muito melhor se fizéssemos de outra maneira. E nós temos as nossas propostas e as nossas ideias e elas vão sendo actualizadas à medida que este governo vai criando novos e piores problemas para resolver", defendeu Passos, justificando a forma gradual como está a conduzir o combate ao Governo.