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Mortes nos Comandos e na Força Aérea não têm nada a ver, diz Azeredo

OLIVIER HOSLET / EPA

Ambos os episódios foram em situações de treino, mas o ministro da Defesa distingue o “violentar ou de exigir fisicamente para além daquilo que é aceitável” do “testar dentro de padrões que, tenho a certeza, a Força Aérea estabelece de forma muito rigorosa”

Carlos Abreu

Jornalista

Não é possível estabelecer qualquer tipo de ligação entre as mortes de instruendos nos Comandos e a de pilotos do C-130 na Força Aérea ainda que, nos dois casos, tenham ocorrido durante um treino, defendeu esta quinta-feira de manhã o ministro da Defesa.

"Os pilotos de C-130 têm de ser testados em situações que não sejam fáceis, porque tratando-se de pilotos das Forças Armadas, que têm de estar preparados para todos os teatros de operações, sejam eles quais forem, o que se trata não é de violentar ou de exigir fisicamente para além daquilo que é aceitável, é de testar dentro de padrões que, tenho a certeza, a Força Aérea Estabelece de forma muito rigorosa, mas sem ser absurda", disse Azeredo Lopes aos jornalistas, à margem da reunião na NATO, em Bruxelas.

"Quando alguém é sujeito a um treino difícil de pilotagem, a probabilidade de acontecer um acidente existe. Estaria a mentir se dissesse que não existia. Apesar de não estarmos em situação de conflito, os nossos militares estão preparados para as situações mais difíceis", adiantou.

O ministro fez ainda questão de voltar a explicar porque razão, em seu entender, não é possível explicar o acidente do C-130, que classificou de "enorme tragédia", como resultante de um "erro humano".

Em bom rigor, esta expressão não é usada no comunicado de imprensa divulgado esta quarta-feira pela Força Aérea, onde está escrito que "o acidente ocorreu devido à impossibilidade da tripulação em controlar eficazmente aeronave". Porquê? O comunicado de imprensa não explica.

"O acidente ocorre numa situação de treino, de extrema dificuldade, onde justamente se leva ao limite a preparação dos nossos pilotos. O que disse não pretende desculpabilizar nem fugir à questão, mas chamar a atenção para a circunstância de que se trata de um acidente numa situação de normalidade. Como o relatório explicita de forma inequívoca, tratava-se de testar uma situação limite", disse Azeredo Lopes.

"Não me parecia justo que se começasse a generalizar a expressão 'erro humano', se essa significar menos empenhamento, menos competência, atuação negligente ou censurável", acrescentou.

E insistiu: "O relatório da Força Aérea nunca utiliza a expressão 'erro humano'. O que disse [o ministro da defesa usou a expressão 'fator humano'] não é para contradizer ou confirmar, é apenas para fazer justiça ao sentido do relatório, explicando o contexto em que ocorre o acidente."