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NATO pode contar com Portugal no flanco sul

NUNO VEIGA / Lusa

Cimeira dos ministros da Defesa da NATO arranca esta manhã no quartel general da Aliança em Bruxelas. Portugal estará representado por Azeredo Lopes que em setembro, na comissão parlamentar de defesa, deixou claro que a Aliança poderia contar com um enventual reforço da nossa presença no flanco Sul, mas nos “battlegroups”, a Leste, nem por isso

Carlos Abreu

, em Bruxelas

Jornalista

Duas perguntas, entre várias outras, hão de ter respostas esta quarta e quinta feira na reunião de ministros da Defesa da NATO, em Bruxelas. Vamos à primeira que as outras vem já a seguir…

Flanco leste: batalhões chegam (mesmo) em 2017?

Defesa coletiva. Aqui está uma expressão que domina, por estes dias, o discurso da NATO e que esta quarta e quinta-feira há de ser escrita em muita notícia por esse mundo fora. E porquê? Porque a Aliança Atlântica há de revelar, durante as primeiras horas da reunião de ministros da Defesa que decorre em Bruxelas, mais detalhes sobre o envio de quatro batalhões: três para os Estados bálticos – Estónia, Letónia e Lituânia – e um para a Polónia. Para a Estónia irá o Reino Unido, para a Letónia o Canadá, para a Lituânia a Alemanha e para a Polónia os Estados Unidos. Mas a apoiar cada um destes países que destacam as suas forças estarão mais dez a 12 Estados-membros (dos 28 da Aliança), alguns dos quais também vão projetar em rotação (isto é, não em permanência) os seus militares. O Canadá, por exemplo, será reforçado pela Itália.

Segundo o representante diplomático dos norte-americanos na NATO, o embaixador Douglas E. Lute, os blindados que hão de ser operados por esta força terrestre que há de ficar 100% operacional em junho do próximo ano ainda se encontram estacionados em bases militares no estado do Colorado.

A participação portuguesa nestes “battlegroups” está para já fora de causa, tal como referiu o ministro Azeredo Lopes no Parlamento a 14 de setembro. Importa aqui recordar que Portugal, no âmbito das chamadas medidas de tranquilização (assurance mesures) adotadas após a invasão russa da Crimeia e a crise no Leste da Ucrânia, tem mantido presença assídua no Báltico ao longo dos últimos anos, patrulhando o seu espaço aéreo com caças F-16 da Força Aérea. Ainda no âmbito das 'assurances mesures', Portugal projetou para a Lituânia uma bateria de artilharia de campanha da Brigada de Reação Rápida do Exército. Composta por 120 militares, está equipada com sete obuses Light Gun 105mm e 34 viaturas. Iniciou a sua missão a 1 de julho e irá conluí-la na próxima segunda-feira, dia 31.

Flanco sul: mais instrutores portugueses no Iraque?

Projeção de estabilidade. Ora aqui está outra expressão que também há de encher noticiários, onde já é mais provável que se ouça falar de Portugal. Isto porque uma das formas encontradas pela NATO de projetar estabilidade para além das suas fronteiras passa, por exemplo, pela edificação de capacidades militares. E é aí que as forças armadas portuguesas poderão dar o seu contributo instruindo os militares iraquianos. Já o fazem há mais de um ano em Besmaya, a sul de Bagdade, no âmbito da coligação internacional que combate o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh); e se em 2017 passarem a fazê-lo no âmbito da NATO nem estaremos perante uma estreia absoluta. Com efeito, entre 2004 e 2009 Portugal esteve presente na NATO Training Mission – Iraq com seis a nove militares em permanência, assessorando as autoridades iraquianas no âmbito da “formação e do estabelecimento das estruturas de comando das suas Forças de Segurança”.

Na sua última audição na comissão parlamentar de Defesa Nacional, questionado sobre um eventual aumento da presença portuguesa no combate ao Daesh (ao serviço da coligação estão em Besmaya cerca de 30 militares, sobretudo comandos mas também paraquedistas), Azeredo Lopes disse que “poderá passar pelo reforço da capacidade de treino que temos atualmente instalada no Iraque ou pela ponderação de outras hipóteses, que resultam da hipotética ação NATO em contexto não-militar e também no âmbito do treino e da formação, por exemplo, no Norte do Iraque”. E acrescentou: “Estamos à espera que haja uma clarificação sobre esses projetos que resultam das últimas pronúncias da NATO sobre esse assunto e nessa altura tomaremos uma posição mais consolidada, positiva ou negativa, em função daquilo que vier a ser estabelecido.”

Recorde-se que a formação das forças armadas iraquianas, realizada atualmente na Jordânia será transferida a partir de janeiro de 2017 para o Iraque, tal como ficou decidido na Cimeira da NATO, em Varsóvia, Polónia, em julho deste ano.

Mediterrâneo: a NATO vai mesmo conseguir cooperar com a União Europeia?

Segundo o embaixador norte-americano na NATO, Douglas E. Lute, só em meados deste mês é que a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Federica Mogherini (que marcará presença na reunião dos ministros da Defesa esta quinta-feira), disse aos Aliados como é que poderiam apoiar a operação Sophia de combate ao tráfico de pessoas no Mediterrâneo central: partilhando informação e a nível logístico.

Num encontro com os jornalistas, esta terça-feira de manhã, o diplomata norte-americano deu um exemplo concreto da dimensão logística: “Pretendem que a NATO reabasteça os navios da UE no mar para que não tenham de deslocar-se a um porto.”

Quando esteve em setembro na comissão de Defesa, o ministro Azeredo Lopes também comentou a relação EU/NATO, lembrando que “há um ano era impensável que a União Europeia pudesse, por exemplo no Mediterrâneo, ser apoiada por uma missão NATO. Isso representa um robustecimento político da componente de Defesa da União que vai muito para lá, na prática, do plano de ação da UE em matéria de Defesa que é francamente pobríssimo”.

  • Aviões radar da NATO entram na guerra ao Daesh

    É a grande novidade avançada pela Aliança a 24 horas da cimeira de ministros da Defesa que se reúnem esta quarta e quinta-feira, em Bruxelas. E Portugal contribui atualmente com sete militares para a esquadra dos AWACS, os aviões radar da NATO