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Marcelo diz que Portugal nunca apoiou o bloqueio e quer reforçar relações com Cuba

O Presidente português diz que não vai comentar a manutenção do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, por se tratar de um “país amigo”, mas frisa que, mesmo antes do 25 de Abril, o nosso país sempre manteve relações com Cuba

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou esta quarta-feira que Portugal tem tido “uma posição constante” em relação a Cuba, nunca tendo apoiado o bloqueio imposto pelos Estados Unidos, e quer reforçar as relações comerciais bilaterais.

O chefe de Estado falava aos jornalistas durante um voo de Paris para Havana, Cuba, onde aterrou perto das 20h30 de terça-feira (1h30 em Lisboa), para uma visita de Estado de um dia e meio, entre quarta-feira de manhã e quinta-feira à tarde.

O Presidente da República salientou a abertura da economia cubana, mas não quis responder se espera também uma maior abertura a nível político em Cuba. “Eu não falo da situação interna de outros estados. Nunca falei, não vou agora abrir uma exceção”, justificou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, esta visita a Cuba enquadra-se numa “grande opção de política externa” do Estado português no seu conjunto “que é a América Latina”, com a qual Portugal tem intensificado relações económicas.

“E Cuba entra agora nessa realidade. E entra porquê? Porque os empresários portugueses, num número muito significativo, se interessaram por Cuba, e porque Cuba abriu”, declarou.

O chefe de Estado apontou a Zona de Desenvolvimento Especial de Mariel como sinal da abertura económica de Cuba e assinalou que pela primeira vez vai haver um pavilhão dedicado a Portugal na 34.ª Feira Internacional de Havana (FIHAV), que começa dias depois desta visita de Estado, com a participação de empresários portugueses.

“Há a ideia de relações comerciais mais intensas, de investimento em vários setores, e isso é muito novo”, afirmou.

No plano político e diplomático, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que “há uma grande constância da política portuguesa em relação a Cuba, com governos de esquerda e governos de direita, com todos os presidentes: houve sempre uma posição em relação a Cuba de diálogo”.Mesmo antes do 25 de Abril de 1974 havia em Lisboa uma delegação de Cuba, referiu.

“E a posição constante em democracia, por exemplo, em relação ao bloqueio económico a Cuba, com todos os governos, foi de não acompanhar esse bloqueio”, prosseguiu.

O Presidente da República não quis comentar a posição norte-americana de manutenção do bloqueio a Cuba: “Não me vou envolver numa questão que tem a ver com um país amigo como são os Estados Unidos”.

“Só posso dizer é que a posição portuguesa foi, no parlamento - ainda agora reiterada, isto é, confirmada, repetida - e com todos os governos, uma posição de não acompanhar e não defender esse bloqueio, pelo contrário, de haver esse relacionamento bilateral que se quer aprofundar”, acrescentou.

De acordo com o chefe de Estado, esta visita acontece também num momento de “maior relacionamento cultural” bilateral, por exemplo, com “uma cátedra de língua portuguesa na Universidade de Havana”.“É economia, é cultura e é política”, sintetizou.

Marcelo Rebelo de Sousa realçou que esta é "a primeira visita de Estado de um Presidente da República a Cuba" e, mais do que o seu possível encontro com Fidel Castro, destacou a reunião com Raúl Castro, prevista para as 18h desta quarta-feira (23h em Lisboa).

“Com o devido respeito, acho mais importante o encontro com o Presidente em funções, Raúl Castro, porque esse é que traduz o relacionamento entre os dois estados na primeira visita de Estado de um Presidente português a Cuba”, declarou.

O Presidente da República disse ainda que “largamente esta visita se deve, por um lado, à vinda cá do senhor ministro dos Negócios Estrangeiros, que aqui esteve há meses, e, por outro lado, ao papel importante dos dois embaixadores”, o embaixador português em Havana e a embaixadora cubana em Lisboa.