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Marcelo, Obama e Fidel: “Um dia histórico”

ANDRÉ KOSTERS/ Lusa

O TPC diplomático foi bem feito, mas o Presidente da República também tem sorte. Chegou a Havana no dia em que a América de Obama mudou de posição sobre Cuba. Ainda esteve com Fidel Castro. Maravilhado, cantou “Guantanamera”

"É uma maravilha, é uma maravilha". Marcelo Rebelo de Sousa nunca tinha ido a Havana e adorou passear a pé pelo centro da cidade. Teve razões de sobra para isso. A cidade é mágica, e ele acertou em cheio no dia escolhido para lá estar – nas Nações Unidas, uma resolução (mais uma) pelo levantamento do embargo norte-americano a Cuba contou, pela primeira vez, com a abstenção dos EUA.

"Acabo de saber do resultado da votação nas Nações Unidas. É um dia histórico, para nós, também. É um dia histórico. Muitas felicidades", afirmou o Presidente português, em castelhano. Marcelo lembrou que o levantamento do embargo imposto pelos americanos à ilha "é uma posição constante de Portugal, de todos os partidos portugueses, de esquerda e de direita (e do centro, claro), uma posição comum". No bolso levava uma resolução aprovada pelo Parlamento português a confirmá-lo.

Mas o dia histórico não ficou por aqui. Além de ter sido o primeiro Chefe de Estado português a visitar Cuba, Marcelo conseguiu o mais difícil: um encontro com Fidel Castro. Fisicamente débil (o que motivou dúvidas atéao fim sobre se se encontrariam ou não), o histórico líder cubano recebeu-o e a foto (à antiga, em papel) ficará para a história.

Antes, Marcelo Rebelo de Sousa esteve com Raul Castro, irmão de Fidel e atual Presidente de Cuba. E fez o que mandam as regras: “Com o devido respeito, acho mais importante o encontro com o Presidente em funções, Raúl Castro, porque esse é que traduz o relacionamento entre os dois Estados na primeira visita de Estado de um Presidente português a Cuba”, declarou aos jornalistas, ainda durante o voo Paris-Havana.

Mas estar com Fidel é estar com Fidel. E conseguir mais em 24 horas era difícil. Mesmo assim, Marcelo ainda puxou pelo que mais o preocupa em Portugal: a economia, que precisa como de pão para a boca de crescimento e exportações. E a América Latina não é dispensável.

"Há um mundo de projetos portugueses possíveis para Cuba", afirmou o PR. Do turismo à construção e energias renováveis, somam "milhões de euros". "Logo à chegada - relatou - o vice-MNE (cubano) trocou impressões comigo e eu com ele acerca de dossiês económicos que estão pendentes. E nós sabemos o interesse com que o Estado cubano está a acompanhar projetos portugueses".

Um Presidente solto e otimista, ajuda. Numa creche de uma organização não-governamental católica em Havana, com crianças a cantarem o "Malhão, malhão", Marcelo fez a sua parte e, ao lado de uma freira a tocar guitarra, entoou o refrão da célebre canção cubana "Guantanamera".

Pelas ruas do centro histórico, "um bocadinho emocionado", viu a casa onde morou o escritor norte-americano Ernest Hemingway, e o café frequentado por Eça de Queirós, que foi cônsul em Havana entre 1872 e 1874. Pelo caminho, Marcelo não resistiu a entrar num salão de cabeleireiro. Ai se os cubanos o tivessem visto em campanha eleitoral ...