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Esquerda acusa PSD de “descaramento” sobre serviços públicos, sociais-democratas pedem mapas do OE2017

Marcos Borga

Os sociais-democratas trouxeram a debate no Parlamento os serviços públicos e os efeitos das cativações, mas a esquerda não perdeu a oportunidade para falar no passado recente de governação do PSD

Os partidos da esquerda parlamentar criticaram esta quarta-feira o PSD e a sua legitimidade para trazer a debate os serviços públicos, acusando inclusive o partido de "descaramento", ao passo que os sociais-democratas insistiram em documentação do Orçamento do Estado para 2017 (OE2017).

"Há défice de serviços públicos? Evidentemente que sim. Estamos a trabalhar para que tal seja ultrapassado? Evidentemente que sim", disse a deputada do partido ecologista "Os Verdes" Heloísa Apolónia, dirigindo-se a Maria Luís Albuquerque, do PSD, a quem acusou de "grande descaramento" por falar na defesa dos serviços públicos após quatro anos como ministra do executivo PSD/CDS.

Os sociais-democratas trouxeram esta tarde a debate no Parlamento os serviços públicos e as suas fraquezas, mas a esquerda não perdeu a oportunidade para falar no passado recente de governação do PSD.

"A senhora deputada, o seu partido e provavelmente o CDS, são provavelmente os últimos partidos com alguma autoridade para dizer o que quer que seja sobre serviços públicos", disse o deputado do PS e porta-voz do partido João Galamba, dirigindo-se a Maria Luís Albuquerque.

A social-democrata, disse por seu turno o comunista João Oliveira, "deve assumir responsabilidades" pela sua governação recente: "O PSD não tem nenhuma preocupação com as dificuldades que enfrentam os utentes de serviços públicos, e neste debate disse zero sobre as respostas a esses problemas", prosseguiu o chefe da bancada do PCP.

Mariana Mortágua, pelo Bloco de Esquerda, reconheceu que cativações orçamentais são "cortes em serviços públicos", mas frisou que "não há um debate" que passe em que o BE não pergunte "onde estão a ser feitas e que serviços afetam" tais mecanismos.

O CDS havia recentemente trazido a plenário um debate também sobre este tema, e a centrista Cecília Meireles reiterou esta tarde algumas das críticas ao Governo, em áreas como os transportes e educação.

Hugo Soares, do PSD, encerrou o debate acusando a esquerda de estar "agarrada permanentemente ao passado", apresentando "mesmo muito jeito para estar na oposição".

O PSD, advogou, tem a "legitimidade" de quem "salvou os serviços públicos e tirou o país da bancarrota" para falar no tema, e reiterou o pedido ao Governo - representado no debate pelo secretário de Estado Pedro Nuno Santos - para apresentar documentação em falta do Orçamento do Estado.

"Ou os senhores têm os mapas e os estão a esconder dos portugueses e agora dizem que os estão a elaborar, ou então o vosso orçamento é uma verdadeira fraude porque assentou em números completamente desatualizados. Escolha uma das duas", vincou Hugo Soares.

Normalmente, os governos incluem nos mapas que integram os OE a informação nas duas óticas (contabilidade pública e contabilidade nacional), mas, desta vez, o gabinete de Mário Centeno não incluiu a informação em contas públicas, tendo as Finanças argumentado, em resposta ao requerimento apresentado pelo PSD, que "as estimativas obtidas em contabilidade pública nesta fase da execução orçamental do ano em curso", tal como o PSD agora requer, "têm uma margem de erro assinalável".