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Azeredo Lopes: cortes nas Forças Armadas não explicam acidente com o C-130

Marcos Borga

Ministro da Defesa recusa estabelecer qualquer tipo de relação entre os cortes realizados nos orçamentos das Forças Armadas, nos últimos anos, e o acidente com o C-130 no Montijo, em julho. Azeredo Lopes diz ainda que não se pode falar em “erro humano” e explica porquê

Carlos Abreu

em Bruxelas

Jornalista

O ministro da Defesa recusa que os cortes feitos nos orçamentos das Forças Armadas possam explicar porque razão a tripulação do C-130 perdeu o controlo da aeronave a 11 de julho último, na base do Montijo, durante uma manobra designada de “aborto à descolagem”. Três militares perderam a vida e um quarto ficou gravemente ferido.

"Podemos discutir se os cortes, sobretudo em operação e manutenção, têm ou não impacto na capacidade das Forças Armadas mas, seguramente, não há de ser este o caso", disse Azeredo Lopes. E justificou: "O relatório de peritos demonstra que não há qualquer reparo a fazer à forma como o C-130 funcionou".

Depois de ter deixado claro que, tal como informou esta manhã a Força Aérea, "a aeronave não apresentava quaisquer problemas ou anomalias que inviabilizassem a tipologia da missão a efetuar, designadamente um voo de instrução e qualificação", o ministro da Defesa fez questão de salientar que não se pode falar de "erro humano".

"Permita-me, por outro lado, discutir o termo 'erro humano', porque não estamos a falar de uma situação de normalidade, estamos a falar de uma situação de treino, em que se leva ao limite a capacidade e exigência para aquilo que se considera dever ser o treino máximo de quem opera um C-130. Nestas circunstâncias, não consigo aceitar a expressão 'erro humano' porque pressupõe uma atuação aquém do nível de exigência e, neste caso, não se verificou isso", disse Azeredo Lopes ao à margem da reunião de ministros de Defesa da NATO, que decorre esta quarta e quinta-feira no quartel-general da aliança, em Bruxelas.

Mais explicou o governante que "com a aeronave carregadíssima como estava de combustível, não posso falar em 'erro humano', posso falar, quanto muito, num 'fator humano' envolvido no acidente, mas daí não resulta um qualquer juízo de censura perante aquilo que aconteceu, porque estamos a testar uma situação limite e nessas situações limite a hipótese de uma coisa não correr bem é uma hipótese, que para o bem e para o mal, tem de se considerar como natural."

Azeredo Lopes aproveitou ainda para elogiar a forma como a Força Aérea conduziu o processo de investigação às causas do acidente de que resultou a perda total da aeronave. "Sem qualquer incómodo, a Força Aérea divulga as conclusões do seu relatório de forma transparente e cumpre o seu dever, perante a vontade legítima de conhecer o que é que aconteceu. É um ato de louvar", concluiu o ministro da Defesa.

“Tripulação perdeu o controlo da aeronave”

No comunicado de imprensa onde dá conta das conclusões à investigação do acidente, a Força Aérea informa que "a missão foi devidamente planeada e coordenada entre a tripulação e compreendia o treino de manobras no solo, abortos à descolagem, voo alto e circuitos de aproximação, a executar de acordo com o Manual de Qualificações da aeronave C-130H, as quais implicam um risco associado mais elevado do que os decorrentes de uma missão normal, razão pela qual são previamente treinadas em simulador de voo."

Pode ler-se ainda que, tal como o Expresso noticiou em julho, "durante a execução de uma manobra de aborto à descolagem, a tripulação perdeu o controlo da aeronave, a qual descreveu uma trajetória para a direita sem hipótese de correção, saindo da pista e imobilizando-se."

E concluiu: "O acidente ocorreu devido à impossibilidade da tripulação em controlar eficazmente a aeronave no decurso de uma manobra que visava treinar a interrupção da respetiva corrida de descolagem." O que terá levado a tripulação a perder o controlo da aeronave permanece uma incógnita.