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CDS acusa BE de “hipocrisia política” na CGD

Luis Barra

A propósito da indignação dos bloquistas com o facto de António Domingues não estar obrigado a mostrar a sua declaração de rendimentos, o líder parlamentar do CDS diz ao Expresso que é uma posição “de uma hipocrisia política que eu raramente vi na AR”

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

O líder parlamentar do CDS desafia o BE a apresentar propostas relativamente aos salários dos administradores da CGD. Depois de Catarina Martins ter vindo ontem classificar o assunto como "um incómodo nacional" e "um erro tremendo", Nuno Magalhães não poupa críticas a uma posição que classifica como "de uma hipocrisia política que eu raramente vi na Assembleia da República".

"O CDS foi o partido que, em agosto, em primeiro lugar, denunciou o decreto-lei em causa e pediu a sua apreciação parlamentar. Se a revogação do diploma tivesse sido aprovada, isso teria tido como consequência, em primeiro lugar, o retomar dos limites anteriores impostos aos vencimentos dos administradores da CGD e, em segundo, a sua submissão ao estatuto do gestor público [que obriga à declaração pública dos rendimentos]. Mas isto foi chumbado, nomeadamente pelos partidos que agora rasgam as vestes".

O líder da bancada centrista lembra que "o CDS está onde sempre esteve - não somos nós que temos de mudar de opinião" e remata dizendo que "o BE não pode querer resolver um problema que eles próprios criaram. Vir agora fazer oposição a si próprio é de uma hipocrisia política como eu raramente vi". Exclui o PCP das críticas: "Ainda que a reboque do CDS apresentou propostas".

PCP desafia BE e PSD

O secretário-geral do PCP, por sua vez, também incitou BE e PSD a apresentarem propostas concretas sobre os salários e o escrutínio de rendimentos e interesses dos gestores públicos.

Jerónimo de Sousa recordou que a iniciativa legislativa dos comunistas sobre o assunto, limitando os vencimentos de gestores públicos e privados, foi chumbada por PSD e PS na passada semana e que a bancada do PCP só pode voltar à carga sobre a mesma matéria na próxima sessão legislativa.

"Estaremos sempre disponíveis para corrigir aquilo que consideramos, de facto, um excesso que não prestigia a democracia nem corresponde, hoje, aos sentimentos de justiça social que a esmagadora maioria dos trabalhadores e do povo sentem", afirmou.

Questionado sobre os anúncios de possíveis iniciativas sobre o assunto por parte de bloquistas e sociais-democratas, o líder comunista prometeu analisá-las para uma posterior tomada de posição.

"Pelas notícias que tenho, nem o BE sabe bem o que vai propor. Se tiver uma proposta concreta, naturalmente, iremos posicionar-nos em conformidade", disse.

Jerónimo de Sousa considerou que o "problema central" não é a obrigatoriedade de os administradores da CGD declararem os seus rendimentos a determinadas autoridades, como já sugeriu o BE.

"Não é esse o problema central. O BE quer fugir à questão central que é dos montantes, esses vencimentos principescos de que essa administração vai usufruir. Não é uma questão meramente de decência, é política, de justiça. Há uma desigualdade enorme, na CGD, como poderia dizer no Montepio, na banca privada. Esse excesso só provoca sentimento de injustiçados por aqueles que têm de declarar os seus rendimentos, que têm salários baixos", declarou.

A proposta dos sociais-democratas, no sentido de voltar a limitar os salários de gestores públicos até um certo montante, também não mereceu grande entusiasmo por parte do líder do PCP.

"Qual é a proposta do PSD!? Tendo em conta o mandato do Governo PSD/CDS, podíamos dizer que aquilo que o PSD está a propor é um bocadinho menos, mas, no essencial, o problema mantém-se. De qualquer forma, perante a proposta concreta, decidiremos em conformidade", garantiu.