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Política

BE e PCP insistem no “problema” dos juros da dívida

José Caria

“Quando se pagam mais de 8000 milhões em juros da dívida pública, obviamente que depois falta dinheiro para outras medida”, sublinhou o deputado comunista Paulo Sá. Centeno admite “limitação” no OE, mas reitera a necessidade de “cumprir” as “responsabilidades” do país

Os partidos à esquerda do PS voltaram hoje a assinalar que, apesar de apoiarem o Orçamento na sua generalidade, mantêm divergências com o Governo em matérias como a sujeição às regras orçamentais impostas por Bruxelas e aos constrangimentos provocados pelos juros que o país paga pela elevada dívida pública que tem.

"Quando se pagam mais de oito mil milhões em juros da dívida publica, obviamente que depois falta dinheiro para outras medidas", apontou o deputado comunista Paulo Sá, constatando que esta realidade provoca "manifestas limitações" nas potenciais estratégias de crescimento do país e que tal situação ocorre por "opção do Governo".

Minutos antes, também a deputada do BE Mariana Mortágua tinha já feito referência ao facto de o país ter atualmente um excedente orçamental primário e continuar condicionado na sua capacidade de investimento na economia.

Na resposta, Centeno reconheceu "o montante de juros que é pago" pelo país, assumiu que "não deixa de haver uma limitação", mas disse esperar que esse valor "seja mais baixo no futuro próximo", através do "alivio das taxas de juro que o Estado paga para se financiar". "Esse caminho está a ser trabalhado pelo Governo" no sentido de conciliar "o esforço que tem sido feito nos últimos meses e a ambição do OE2017" com "as responsabilidades que todos sabemos que temos de cumprir". "Continuaremos a trabalhar no sentido de uma menorização desse impacto na economia portuguesa", concluiu.

Pouco depois, Paulo Sá voltou a defender que a UE "vai aumentando as suas imposições e ingerências no país", com o "objetivo de limitar a politica de reposição de rendimentos", por discordar dessa estratégia. "É necessário que o país se liberte dessas imposições" insistiu o deputado comunista.