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Sucessão de dinossauros é prioridade no PS

O partido já estabeleceu as regras: recandidatar quem venceu, mas há dez câmaras em que os presidentes têm de sair

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O PS está à procura de candidatos para substituir os dez presidentes de câmara que não se podem apresentar de novo às urnas por já terem atingido o limite de três mandatos. As dez câmaras estão incluídas em oito municípios, que vão de norte a sul do país e ainda aos Açores: Águeda e Arouca (Aveiro), Ferreira do Alentejo (Beja), Vinhais (Bragança), Celorico da Beira (Guarda), Castanheira de Pera e Porto de Mós (Leiria), Ponte da Barca (Viana do Castelo), Sabrosa (Vila Real) e Praia da Vitória (Açores).

Ao que o Expresso apurou, em algumas destas câmaras o processo de transição já se iniciou, tendo sido acautelados “os sucessores“ e o respeito pelo programa, mas ainda não está concluído. O objetivo assumido é fechar as escolhas de todos os candidatos até final de dezembro, para se poder realizar a convenção autárquica do partido, prevista para o primeiro trimestre de 2017. E embora se considere que há dificuldades em alguns municípios, Hugo Pires, o secretário nacional com o pelouro da organização, afirma que “até agora ainda não foram comunicados problemas à direção do partido”.

No mês passado, foi noticiado pelo jornal “Público” que o PS teria identificado “dez câmaras problemáticas”, devido a problemas dentro do PS (entre elas Barcelos, Góis, Golegã, Marinha Grande e Torres Novas), mas Hugo Pires não quis comentar a notícia.

O processo de escolha de candidatos é espoletado pelas concelhias do partido, sendo depois aprovado a nível de federação e só em situação limite chega à direção. Segundo uma decisão da Comissão Permanente do PS, esta pode propor a avocação dos processos em caso de conflitos nas estruturas.

Se a prioridade é, para já, encontrar todos os candidatos certos, o objetivo geral das eleições que se realizarão em outubro de 2017 é manter ou mesmo ultrapassar o resultado histórico obtido em 2013, em que o PS conquistou o recorde de 150 câmaras num total de 308 municípios. E, claro, manter a presidência da Associação Nacional de Municípios, atualmente detida por Manuel Machado, eleito por Coimbra (e também recandidato em 2017), bem como a da Associação Nacional de Freguesias (Anafre), detida por Pedro Cegonho (presidente da freguesia de Campo de Ourique) desde 2014, tal como referiu ao Expresso o dirigente socialista.

A regra de ouro para as autárquicas já foi estabelecida na última reunião da Comissão Permanente, na semana passada: os presidentes eleitos nas últimas eleições serão candidatos se manifestarem essa vontade. O critério decorre da moção global de estratégia que foi aprovada pelo congresso, por isso, é mesmo para seguir com rigor. Diferentes são os outros dois critérios também aprovados, mas a título de recomendação: fazer listas paritárias e com, pelo menos, 20% de quadros jovens, isto é, até aos 35 anos. Tanto uma como outra são mais difíceis de conseguir, excluindo os centros urbanos.

Esta semana, ficou-se também a saber, através de uma notícia do “Observador”, que o PS anda a pedir donativos a todos os eleitos nas autarquias como forma de ajudar a pagar as despesas da campanha eleitoral no próximo outono, uma vez que o partido tem um passivo de €21,7 milhões.