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Ferreira Leite. “Governo está orgulhoso, mas talvez não haja motivo para estar tanto”

A antiga líder do PSD criticou a atitude da oposição que não pode continuar “com os discursos de que está tudo mal e que o estava a ser feito antes é que estava bem”. E lembrou que a grande divergência entre o atual Executivo e o anterior está, essencialmente, no “ritmo” a que os rendimentos são devolvidos

Manuela Ferreira Leite considerou que o Governo não deve estar tão “orgulhoso” pelo Orçamento do Estado para 2017, pois no documento estão incluídas receitas extraordinárias que “não se repetem”. No habitual espaço de comentário na TVI24, esta quinta-feira à noite, a antiga líder dos sociais-democratas criticou também o discurso da oposição.

“Acho que o Governo está orgulhoso [do Orçamento do Estado], mas talvez não haja motivo para estar tanto, pois sabe que há receitas extraordinárias que não se repetem”, disse Ferreira Leite. “Na oposição também acho que deveria mudar o discurso de que está tudo mal e que o estava a ser feito antes é que estava bem”, acrescentou.

A ex-ministra das Finanças sublinhou que a grande divergência entre o Executivo de António Costa e o de Pedro Passos Coelho é o ritmo a que os rendimentos são devolvidos. “Uns diziam que deveria ser faseado e outros tudo de uma só vez”. E para Ferreira Leite, “não é ritmo que vai fazer a diferença”.

“É visível que não há grandes incentivos ao investimento. O nosso crescimento depende dos privados e não do público. E também acho que o Orçamento do Estado não é o instrumento para isso”, comentou.

Relativamente às pensões, que a partir de agosto de 2017 vão ser aumentadas em 10 euros, referiu que se trata de “um ponto politicamente sensível” e criticou a forma como será aplicado o aumento. Defendeu que deveria ter sido somado o valor total que é sustentável atribuir e dividi-lo pelos 12 meses do ano e não só por cinco.

“É evidente que fizeram as contas e viram que não existe dinheiro para dar mais 10 euros a mais gente ao longo de 12 meses. Significa que este Governo tomou uma decisão para 2018 que não sabe se vai ter dinheiro para pagar. Se este ano não tenho a garantia de que posso pagar, como posso ter a garantia no próximo ano?”, questionou Ferreira Leite.