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Carlos Carreiras: “O PS abandonou os cascalenses”

Atitude “arrogante, não dialogante e preconceituosa”. É assim que Carlos Carreiras reage à decisão do ministro Pedro Marques de não investir na linha ferroviária entre Cascais e Lisboa, "fazendo letra morta dos compromissos assumidos" pelo anterior Governo. Contactado pelo Expresso, o ministério responde que "quem manifestou preconceito para com a Linha de Cascais foi quem colocou o projeto num powerpoint sem se preocupar em encontrar um tostão para o seu financiamento"

O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras (PSD), na sua página do Facebook, mostra o seu desagrado com o Governo e a decisão de não renovar e investir na linha ferroviária entre Cascais e Lisboa, “fazendo letra morta dos compromissos assumidos anteriormente”. “Confirma-se o preconceito do Governo contra os Cascalenses”, diz o autarca.

Contactado pelo Expresso, fonte do ministério do Planeamento e das Infraestruturas responde que a intervenção na Linha de Cascais integra o Plano Ferrovia 2020, apresentado pelo Governo em fevereiro, e que "ninguém desistiu da Linha de Cascais, de tal forma que o Governo tem repetido publicamente que procura fontes de financiamento para o projeto". "Quem manifestou preconceito para com a Linha de Cascais foi quem colocou o projeto num powerpoint sem se preocupar em encontrar um tostão para o seu financiamento", acrescenta a mesma fonte.

Esta quinta-feira, Pedro Marques reiterou que “este Governo já disse que não vai fazer novas concessões, nem PPP". Em entrevista ao Público, o ministro afirmou que "a complexidade do processo é que a linha de Cascais é a única parte da nossa rede ferroviária que não funciona com a mesma tensão”, adiantando que o investimento total poderia chegar aos 500 milhões de euros.

O ministro "realçou a importância da requalificação da Linha de Cascais, o que implica a sua integração na rede ferroviária nacional, através da Linha de Cintura", realça fonte do ministério ao Expresso. "A modernização da Linha de Cascais passa pela renovação da infraestrutura e do material circulante, o que corresponde a um investimento muito avultado, estando o Governo empenhado em encontrar fontes de financiamento para esse projeto. Apesar de integrar o Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas (PETI) do anterior governo, a intervenção na Linha de Cascais não tinha assegurada qualquer fonte de financiamento", enfatiza a mesma fonte.

Carlos Carreiras recorda que a linha de Cascais “não sofre qualquer intervenção” há mais de 50 anos, tendo perdido 20 milhões de passageiros/ano, nos últimos 20 anos, passando de mais de 45 milhões em 1994 para perto dos 25 milhões em 2015.

“O anterior governo havia colocado este investimento numa lista de intervenções prioritárias, pelo seu impacto social, ambiental e económico pois para além de afetar milhões de passageiros, coloca graves questões do ponto de vista da segurança, uma vez que o material circulante já foi há muito descontinuado o que acarreta graves problemas na sua manutenção, depois de um anterior governo do Partido Socialista ter anulado o concurso de aquisição de material circulante (vulgo carruagens)”, refere o presidente da autarquia.

“O governo socialista fechou todas as portas de diálogo com as autarquias, parecendo esquecer que são elas os principais interlocutores com as populações. Este esquecimento a que o Governo quer votar Cascais e Oeiras, deve-se única e exclusivamente a uma atitude arrogante, não dialogante e preconceituosa por parte do Sr. Ministro Pedro Marques suportada por preconceitos ideológicos do PS, BE e PCP”, acusa Carlos Carreiras. E continua: “Tivesse a autarquia a que presido, Cascais, sido ouvida e teríamos como sempre apresentado solução, que a temos, bem como a nossa perspetiva, que é sempre a da defesa intransigente dos superiores interesses dos munícipes de Cascais”.

Na mensagem publicada no Facebook, o autarca acaba por apelar, “por uma última vez, a que o governo saia da torre de marfim em que se colocou e dialogue com as autarquias ouvindo que soluções propõem”.